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Ditadura de Cuba: crise social ameaça até a vida de gatinhos de rua da ilha comunista

Sanções mais duras e bloqueio de combustível imposto pelos EUA levaram a população de 9 milhões do país caribenho ao limite

Internacional|Do R7

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A cubana Gabriela Lopez administra um centro de resgate chamado "Aldameros", capaz de derreter o coração de qualquer amante de gatos. Gatos de todos os tipos e tamanhos circulam pelo local, ronronando após serem alimentados e esfregando-se nas pernas dos funcionários.

Mas nem tudo vai bem por aqui. No início deste ano, a ilha governada pelos comunistas mergulhou em uma crise econômica e social sem precedentes, à medida que o endurecimento das sanções dos EUA e um bloqueio de combustível imposto pela administração do presidente americano Donald Trump levaram a população de 9 milhões de habitantes ao limite.

O centro de atendimento de gatos, assim como a população em geral, conta com pouca água atualmente — apesar de estar localizado no centro de Havana — e tem acesso à eletricidade por apenas algumas horas por dia; além disso, os custos disparam acompanhando a inflação, diz Lopez.

"Antes, conseguíamos estocar comida para alguns dias, mas agora vivemos um dia de cada vez, pois não temos [refrigeração]. Quanto à água, precisamos manter uma boa higiene, mas há problemas no abastecimento", diz ela, exausta com a lista interminável de problemas que enumera durante a entrevista.

"São questões pequenas que, quando vistas em conjunto, somam-se a um grande problema."

Os animais, segundo ela, são apenas as vítimas mais recentes da escassez crescente que começou a afetar praticamente todos os aspectos da vida em Cuba.

Ainda assim, os gatos que circulam pelo centro parecem imperturbáveis, apesar dos problemas ao seu redor. Na hora do almoço, eles miavam e disputavam espaço para chegar às tigelas de plástico com uma mistura de restos de frango, peixe e vegetais. Após a refeição, rolavam no chão, com a barriga para cima, esfregando as costas na superfície.

No entanto, o veterinário Daniel Hernandez, que atua em Havana, afirma que os problemas vão muito além do que se vê, já que as clínicas do país lutam para manter o estoque de medicamentos e vacinas em meio à escassez crescente.

"O maior problema que enfrentamos é o fornecimento constante de energia [para manter] a refrigeração de medicamentos, como vacinas e outros fármacos que exigem uma cadeia de frio para garantir sua eficácia", disse Hernandez. "É uma situação realmente estressante."

Enquanto isso, a alta dos custos forçou centros de voluntariado como o 'Aldameros', de Lopez, a buscar fontes alternativas de alimentos — muitas vezes sem sucesso. Empresas que antes doavam restos de comida agora tentam vendê-los, disse ela. Para piorar a situação, os preços disparam enquanto as doações minguam, acompanhando a queda do setor de turismo do país, diz Claudia Diaz, coordenadora de voluntários da Ceda (Cubanos em Defesa dos Animais), uma organização não governamental de ativistas pelos direitos dos animais.

"Com a redução do número de turistas que vêm [a Cuba], perdemos uma fonte importante de recursos, tanto em forma de suprimentos quanto em dinheiro", afirmou Diaz.

Essas doações, segundo ela, sustentavam campanhas de controle de pragas, ajudavam a manter centros como o Aldameros em funcionamento e impulsionavam campanhas de resgate e vacinação de animais.

As imagens são da Reuters.

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