JR ENTREVISTA: Apex busca novos mercados para 5.300 empresas afetadas por tarifas dos EUA
Laudemir Müller, presidente da agência, afirma que empresas serão atendidas pelo plano de diversificação de exportações
JR Entrevista|Do R7, em Brasília
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O convidado do JR ENTREVISTA desta quarta-feira (19) é o presidente da Apex Brasil, Laudemir Müller. Ao jornalista Yuri Achcar, ele fala sobre o plano de diversificação de exportações criado para ajudar empresas brasileiras afetadas pelo aumento das tarifas dos Estados Unidos, a busca por novos mercados para os produtos nacionais, os investimentos da agência na promoção das exportações e as oportunidades para pequenas e médias empresas no comércio internacional.
Segundo Laudemir Müller, a Apex Brasil está reunindo capacidade para atender cerca de 5.300 empresas afetadas pelo aumento das tarifas no mercado norte-americano. A estratégia prevê um investimento de R$ 210 milhões em um plano de diversificação de exportações, desenvolvido em parceria com 29 setores empresariais. A proposta é aproximar as empresas de compradores internacionais de mercados alternativos e ajudar os negócios a encontrar novos destinos para produtos que antes eram vendidos aos Estados Unidos.
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Müller explicou que a Apex pretende utilizar feiras internacionais, rodadas de negócios e encontros virtuais para aproximar os empresários brasileiros de potenciais compradores. Segundo ele, a agência também conta com escritórios em diferentes regiões do mundo e uma carteira com mais de 2.000 compradores internacionais. “A lógica é fazer com que esses empresários possam encontrar um comprador internacional do seu produto no mercado alternativo”, disse.
O presidente da Apex Brasil afirmou que o trabalho para identificar novos mercados já começou. A agência está realizando levantamentos de inteligência de mercado, analisando produto por produto e buscando identificar os países com maior demanda e melhores oportunidades. Entre os 36 mercados considerados prioritários estão Canadá, México, países da Europa, África do Sul, Nigéria, Etiópia, Índia, Turquia, China, Singapura, Malásia, Indonésia, Tailândia e Vietnã.
Exportações brasileiras
Apesar da estratégia de diversificação, o presidente da Apex Brasil ressaltou que os Estados Unidos continuam sendo um mercado importante para as empresas brasileiras. Segundo ele, a agência pretende investir mais de R$ 30 milhões nos próximos 12 meses para trabalhar no mercado norte-americano, além de atuar para ampliar as isenções tarifárias e apoiar as empresas que continuam vendendo para o país. “Nós não vamos abandonar o mercado americano. A gente segue trabalhando nos Estados Unidos para aumentar a isenção”, afirmou.
Na entrevista, Müller também afirmou que o aumento das tarifas não interessa ao setor privado brasileiro nem ao norte-americano. Ele explicou que empresas e consumidores dos Estados Unidos também são afetados, já que os importadores precisam lidar com o aumento de custos dos produtos brasileiros. “Ninguém do mundo empresarial quer essas tarifas. Inclusive as empresas americanas foram junto com as empresas brasileiras à audiência para dizer que elas também eram contra”, declarou.
O presidente da Apex Brasil destacou ainda o desempenho das exportações brasileiras. Segundo ele, o Brasil exportou US$ 220 bilhões no primeiro semestre, contra US$ 200 bilhões no mesmo período do ano anterior. Embora tenha havido uma redução de cerca de US$ 2,9 bilhões nas exportações para os Estados Unidos, Müller citou aumentos nas vendas para a Europa, Índia e China, contribuindo para um crescimento de aproximadamente US$ 20 bilhões nas exportações brasileiras em relação ao ano anterior.
Para Müller, o Brasil também vive um momento de maior interesse internacional. Ele afirmou que o país foi o quinto maior destino de investimentos do mundo em 2025, quando recebeu US$ 77 bilhões em investimentos, e disse que, até junho deste ano, já haviam entrado US$ 47 bilhões. Segundo ele, o interesse está relacionado também à capacidade brasileira de participar de discussões globais sobre segurança alimentar, sustentabilidade, transição energética e mudanças climáticas.
“O mundo também nos vê, e o Brasil hoje faz parte das soluções globais”, destacou. Müller citou ainda a importância do país nas discussões sobre segurança alimentar e sustentabilidade. “Não tem uma solução, não tem mesa de negociação séria sobre sustentabilidade e segurança alimentar se o Brasil não tiver presente”, afirmou.
O presidente da Apex Brasil também defendeu a ampliação da participação de pequenas e médias empresas no comércio exterior. Segundo ele, mais da metade das 24 mil empresas com as quais a agência trabalha são de pequeno ou médio porte. Na área de alimentos e bebidas, Müller destacou o trabalho com cooperativas e afirmou que o número de cooperativas apoiadas pela Apex no mercado internacional passou de cerca de 40 ou 50 para 600.
Ao falar sobre o futuro, Müller afirmou que empresários brasileiros esperam que o atual cenário de tarifas seja temporário, mas ressaltou a necessidade de apoio imediato às empresas afetadas. A proposta, afirmou, é atravessar o período de instabilidade fortalecendo a presença dos produtos brasileiros em diferentes mercados. “Nós vamos socorrer essas empresas para que elas possam continuar produzindo e exportando. Esse é o nosso papel”, concluiu.
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