JR ENTREVISTA: coordenadora no MJ explica como coleta de DNA ajuda a identificar desaparecidos
Beatriz Figueiredo reforça a importância de comunicar o desaparecimento de pessoas imediatamente às autoridades
JR Entrevista|Do R7, em Brasília
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Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7
A convidada do JR ENTREVISTA desta quarta-feira (26) é a coordenadora de Modernização Tecnológica do Ministério da Justiça, Beatriz Figueiredo. À jornalista Flávia Alvarenga, ela fala sobre a mobilização nacional para coleta de DNA de familiares de pessoas desaparecidas, o funcionamento do Banco Nacional de Perfis Genéticos, os avanços da perícia criminal e o uso de novas tecnologias nas investigações.
Atualmente, há cerca de 14 mil amostras de pessoas desaparecidas, vivas ou mortas, que ainda não foram identificadas, enquanto aproximadamente 10.000 familiares já fizeram a coleta de material genético. Para Beatriz, a mobilização busca aproximar esses números. “A mobilização funciona como um chamamento, para a gente trazer a atenção para essa pauta que é tão importante, que é a de pessoas desaparecidas”, afirmou. A coleta é voluntária e pode ser feita a qualquer momento.
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Beatriz explica que o procedimento é simples e pode ser feito por familiares de primeiro grau, como pais, irmãos e filhos. Na ausência deles, parentes de segundo ou terceiro grau também podem contribuir. Para iniciar a busca, é necessário registrar um boletim de ocorrência sobre o desaparecimento. O material é encaminhado ao laboratório estadual e, caso não haja correspondência, pode ser comparado com perfis de outros estados por meio do Banco Nacional.
Buscas internacionais
A integração também permite buscas internacionais. Beatriz explicou que o Banco Nacional de Perfis Genéticos é sediado na Polícia Federal e pode fazer confrontos com amostras do exterior por meio da Interpol. Ela destacou que a identificação é importante não apenas para esclarecer o destino da pessoa, mas também para permitir que a família resolva questões civis. “Eu acho que é uma dor que talvez seja a pior dor que uma família possa ter, que é a da incerteza”, disse.
A coordenadora ressaltou que os registros de desaparecimento podem estar superestimados porque, muitas vezes, familiares não comunicam à polícia quando a pessoa retorna. Ela também explicou que os desaparecimentos podem ter diferentes causas, como tráfico de pessoas, homicídios, rapto infantil, problemas de saúde ou situações de violência. Por isso, a investigação precisa envolver diferentes órgãos. “É muito importante pensar no desaparecido como um campo múltiplo”, afirmou.
Beatriz também fez um alerta sobre uma dúvida comum em casos de desaparecimento: a necessidade de esperar 24 horas para procurar a polícia. Segundo ela, essa exigência não existe. “Isso é uma falácia, não existe ter que esperar 24 horas”, afirmou. A orientação é registrar o boletim assim que houver suspeita de desaparecimento, especialmente quando se trata de crianças.
Proteção a crianças
Durante a entrevista, a coordenadora também falou sobre a proteção de crianças em locais públicos. Ela orientou pais e responsáveis a manterem os menores próximos em locais movimentados e a estabelecerem previamente quem está autorizado a buscá-los na escola ou em outras atividades. Também recomendou ensinar às crianças informações básicas, como o nome completo dos pais, o bairro onde moram e um número de emergência.
Sobre violência contra a mulher, Beatriz afirmou que o enfrentamento precisa envolver diferentes áreas, desde a preparação dos profissionais até a investigação e o julgamento dos casos. “Todo profissional que vai tratar com essa questão de gênero tem que ter essa lente de olhar e entender que aquilo é um sistema cultural”, explicou. Segundo ela, a identificação de vestígios relacionados à violência de gênero pode contribuir para esclarecer as circunstâncias de um feminicídio.
A coordenadora destacou ainda a tecnologia como uma aliada das perícias. Ela citou o uso de drones, scanners, equipamentos de fotografia com capacidade para levantamentos em 3D e ferramentas de inteligência artificial. Como exemplo, explicou que sistemas podem analisar imagens de câmeras de segurança para localizar rapidamente características específicas, como um determinado veículo. “Hoje você já tem ferramenta de IA, que em 30 segundos fala: ‘tem um carro branco, é esse aqui?’”, relatou.
O programa também está disponível na Record News, no R7, nas redes sociais e no RecordPlus.
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