‘Não precisava ter matado’, diz sobrinho de casal morto em latrocínio em BH
Henrique Maciel afirma que os tios eram pessoas solidárias e diz que a família está revoltada com a crueldade do crime
Minas Gerais|Wagner de Oliveira, da RECORD Minas e Cler Santos, do R7
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A prisão de Paola Stephany Neto Cirino, de 30 anos, principal suspeita de matar o advogado Cláudio Atala Inácio, de 75 anos, e a esposa dele, Maria Clotilde Moreira Maciel Atala Inácio, de 76, não diminuiu a dor da família das vítimas. Em entrevista à Record Minas, o sobrinho do casal, Henrique Maciel, de 48 anos, desabafou sobre a brutalidade do crime e afirmou que nada justifica a morte dos idosos.
“É revolta, tristeza, muita brutalidade, muita crueldade. Se a intenção era roubar, e como houve o próprio depoimento da menina e ela dopou os meus tios, não havia necessidade de matá-los. Roubava e ia embora. Não precisava ter matado, e também de forma tão cruel”, afirmou.
Segundo a Polícia Civil, Paola Stephany Neto Cirino confessou informalmente que dopou o casal com um suco contendo quatro comprimidos de um calmante de uso controlado e, em seguida, atacou as vítimas com uma faca encontrada no próprio apartamento. Cláudio Atala Inácio sofreu pelo menos 40 golpes de faca, enquanto Maria Clotilde também foi esfaqueada diversas vezes. A investigação trata o caso como latrocínio, o roubo seguido de morte.

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Henrique contou que os tios eram pessoas generosas e muito queridas pela família. “Tanto meu tio quanto minha tia eram boas pessoas, solidárias, pessoas do bem. Nesses meus 48 anos de vida, me ajudaram muito, ajudaram toda a nossa família. Então é muita tristeza”, disse.
Além da violência, o comerciante também lamentou os bens levados pela suspeita. Ele revelou que havia presenteado o tio recentemente com um relógio importado de aproximadamente R$ 80 mil, que também foi roubado. Segundo Henrique, além desse item, a suspeita levou outros relógios da coleção de Cláudio Atala Inácio, joias de Maria Clotilde, dinheiro em espécie e diversas peças de roupa.
O sobrinho foi uma das primeiras pessoas da família a chegar ao apartamento após o crime e acompanhou parte do trabalho da perícia. “Eu fui o segundo familiar a chegar ao apartamento, presenciei uma parte do trabalho dos peritos e acompanhei o trabalho da Polícia Militar e da Polícia Civil. Estou à disposição do que a polícia necessitar”, afirmou.
Paola Stephany Neto Cirino foi presa na madrugada desta quinta-feira (2/7), em um hotel de Itabira, na região Central de Minas Gerais. Ela foi encaminhada ao Instituto Médico Legal (IML) e, posteriormente, transferida para o sistema prisional. A Polícia Civil continua investigando o caso e apura se a suspeita contou com a ajuda de outra pessoa na execução ou na fuga após o crime.
Relembre o caso
Na tarde dessa terça-feira (30/6), um casal de idosos foram encontrados mortos dentro de sua residência no bairro São Pedro, região Centro-Sul de BH. De acordo com o boletim de ocorrência, Maria Clotilde, de 75 anos, foi encontrada na sala, com grande quantidade de sangue no sofá. Ela apresentava sete ferimentos distribuídos entre o rosto, queixo, pelve, garganta, tórax e pescoço.
Cláudio Atala Inácio, de 76, foi localizado sobre a cama, também com muito sangue, e tinha 17 lesões nas costas, pescoço e tórax. Conforme a perícia, ambos apresentavam sinais de defesa, o que indica que tentaram reagir às agressões. Nos corpos, foram constatadas em um primeiro momento 24 perfurações, mas em depoimento, a suspeita afirmou que desferiu pelo menos 40 golpes.
Além disso, em depoimento, a suspeita teria admitido que dopou o casal com uma mistura de remédios usados em tratamento para depressão. Posteriormente, os adicionou a um suco. De acordo com o delegado Gustavo Bartella, após os idosos começarem a passar mal e perderem os sentidos, ela iniciou os ataques com uma faca que estava na residência.
Os peritos também constataram que uma gaveta onde eram guardadas semijóias estava arrombada. Além disso, os celulares do casal não foram encontrados.
Imagens de câmera de segurança flagraram a suspeita, Paola Stephany Neto Cirino, de 30 anos, entrando no prédio com uma vestimenta e saindo usando peças de Maria Clotilde, de acordo com informações do sobrinho, Henrique Maciel.
A mulher foi presa em um hotel na madrugada desta quinta-feira (2/7), na cidade de Itabira, região Central de Minas Gerais. Ela estava acompanhada do filho de seis anos. A Polícia Civil de Minas Gerais segue investigando a possibilidade da mulher ter tido ajuda de mais uma pessoa para cometer o crime.
O que diz a defesa
A defesa de Paola manifesta, antes de tudo, seu profundo pesar e solidariedade aos familiares das vítimas, reconhecendo a dor irreparável vivenciada por todos os envolvidos.
No que se refere à investigação, a defesa de Paola atuará com absoluta responsabilidade, observando rigorosamente os princípios constitucionais da ampla defesa, do contraditório e do devido processo legal.
As razões defensivas serão apresentadas no momento processual oportuno, com base nos elementos constantes dos autos e nas provas que vierem a ser produzidas, sempre com respeito às instituições e à atuação das autoridades competentes.
Neste momento, a defesa reafirma sua confiança no Poder Judiciário e ressalta que qualquer conclusão acerca da responsabilidade da investigada deve decorrer exclusivamente da regular instrução processual, e não de julgamentos antecipados ou da repercussão do caso.
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