Bertha Benz: conheça a história da primeira motorista do mundo
Bertha Benz financiou o desenvolvimento do Motorwagen e aprimorou o projeto após uma longa viagem na Alemanha
Autos Carros|Marcos Camargo Jr e Marcos Camargo Jr.

Nos primórdios do universo automobilístico, uma mulher teve um papel fundamental no desenvolvimento e no aprimoramento dos primeiros projetos. Bertha Benz teve uma importância vital no sucesso dos empreendimentos da família, e muitos desconhecem sua contribuição. Ela não apenas financiou, mas também dirigiu e aprimorou o projeto do Benz Patent Motorwagen, considerado o primeiro automóvel do mundo.

Bertha Benz, nascida Bertha Reinger, veio de uma família aristocrática do Grão-Ducado de Baden. Desde jovem, demonstrou interesse pelo funcionamento de máquinas e equipamentos. Aos 21 anos, Bertha usou parte de suas economias para comprar uma empresa de fundição, a fim de estar próxima do mundo que aprendeu a admirar. Durante uma viagem em família, conheceu Karl Benz, famoso pelo seu projeto das "carruagens sem cavalos". Os dois se casaram.

Karl Benz usou parte do dote de Bertha para investir em sua própria empresa, e somente com o dinheiro da esposa conseguiu concluir o projeto em 1885. No entanto, Bertha não figurou como investidora, pois a legislação da época não permitia que ela fosse sócia nos negócios.

Bertha tinha origem abastada, mas sofreu preconceito e teve que se afastar do convívio com outras famílias importantes da Alemanha. Isso se deu porque Karl Benz era chamado de louco, e seu invento era considerado perigoso. No entanto, Bertha persistiu e era vista com os filhos na cidade de Mannheim, onde moravam, a bordo do automóvel que era tão criticado.

O Motorwagen tinha 954cc e apenas 0,9cv, sendo praticamente uma motocicleta com motor a gasolina, onde a lubrificação era por gotejamento. Bertha foi também uma das primeiras pessoas do mundo a viajar de carro.

Ela saiu de Mannheim, passando por duas cidades, até chegar a Pforzheim em um percurso de quase 100km. Ao longo do percurso, Bertha usou um alfinete para limpar o carburador do carro, melhorou os freios com uma tira de couro e com um anel elástico da meia, usou para isolar um fio do motor.
Em uma das paradas, Bertha consultou um sapateiro, que costurou a tira de couro em um bloco para aprimorar a frenagem.

Na cidade de Wiesloch, observando o consumo do carro, Bertha comprou benzina extra para abastecer o Motorwagen. Não havia medidor ou nenhum dispositivo para observar o nível do tanque, que tinha capacidade para 4,5 litros.

Ao chegar em Pforzheim, Bertha se comunicou com o marido por telegrama, e três dias depois retornou com o carro a Mannheim, percorrendo um total de 194km. Bertha aprimorou o automóvel junto com Karl ao sugerir um sistema de correias mais durável, refrigeração mais eficiente para o motor e um sistema de freio mais seguro, que pudesse ser acionado com menos esforço.

O casal se mudou para Ladenburg anos depois, em 1905, e Karl deixou a empresa que fundou para criar novos empreendimentos ligados ao mundo do automóvel. Nesse ponto, a Daimler-Motoren-Gesellschaft já era uma empresa desenvolvida e uma referência em automóveis. Karl Benz morreu em 1929, e Bertha acompanhou os filhos que o sucederam na direção das empresas da família.















