BYD testa sedã e SUV de alto luxo para enfrentar Maybach e Rolls-Royce
Protótipos flagrados na China têm carroceria de grandes proporções, portas traseiras invertidas e rodas sofisticadas

A BYD pode estar preparando uma nova ofensiva no segmento de automóveis de alto luxo. Dois protótipos fortemente camuflados foram flagrados durante testes na China: um sedã de grandes dimensões e um SUV igualmente imponente. Embora a fabricante ainda não tenha revelado oficialmente os projetos, a imprensa chinesa acredita que os veículos sejam futuros integrantes da Yangwang, divisão mais sofisticada do grupo.
BYD Sealion 07 sendo carregado na estrada
Marcos Camargo Jr 30.06.2026
Os dois modelos chamam a atenção pelas proporções, pela construção aparentemente mais elaborada e por soluções tradicionalmente encontradas em automóveis de marcas como Mercedes-Maybach, Bentley e Rolls-Royce.

O sedã apresenta entre-eixos bastante longo, capô elevado, teto quase horizontal e uma carroceria de três volumes com linhas mais formais. O perfil lembra o do Rolls-Royce Phantom, modelo desenvolvido especialmente para clientes que viajam nos bancos traseiros e muitas vezes contam com motorista particular.

No caso do SUV, as referências apontam para um veículo mais próximo do Rolls-Royce Cullinan do que dos atuais utilitários esportivos da Yangwang. O modelo tem perfil alto, carroceria comprida e uma postura mais voltada ao conforto no asfalto, distanciando-se da proposta fora de estrada dos conhecidos U8 e U8L.
Sedã terá portas traseiras invertidas
Um dos detalhes mais interessantes do sedã está nas portas. A posição das maçanetas indica que as portas traseiras são invertidas, abrindo-se no sentido contrário ao das dianteiras.

Conhecida como “coach door”, essa solução é uma das características mais marcantes dos sedãs da Rolls-Royce. Além do efeito visual, o sistema facilita o acesso ao banco traseiro e reforça a proposta de um automóvel pensado para passageiros.
Fontes chinesas especulam que o sedã também possa dispensar a coluna central fixa entre as portas. Nesse caso, a abertura simultânea das quatro portas criaria um grande vão lateral para entrada e saída dos ocupantes.
BYD Atto 8 estacionado em rua calma de São Paulo
Marcos Camargo Jr 15.07.2026
A solução, porém, exigiria uma estrutura especialmente reforçada. Sem a coluna B tradicional, a fabricante precisaria compensar a perda de rigidez com a plataforma, as caixas laterais e possivelmente com a própria bateria instalada sob o assoalho.
As imagens mostram ainda que o protótipo utiliza um teto metálico convencional, em vez do teto panorâmico de vidro presente em muitos modelos elétricos. A escolha pode estar relacionada justamente à necessidade de aumentar a rigidez da carroceria e melhorar o isolamento acústico e térmico.

Apesar da camuflagem, o formato das portas, a distância entre os eixos e o balanço traseiro alongado deixam evidente que o espaço para quem viaja atrás deverá ser uma das prioridades do projeto.
Rodas lembram modelos Maybach
Outro detalhe que reforça o posicionamento superior está nas rodas. Os protótipos utilizam conjuntos grandes, com pneus de perfil baixo e desenhos fechados semelhantes aos adotados por automóveis da Mercedes-Maybach.

No sedã, também foi observado um reservatório de ar na região inferior do para-choque traseiro. O componente pode indicar a presença de uma versão mais avançada da suspensão pneumática DiSus-A desenvolvida pela BYD aplicada em vários modelos da marca Denza.
Esse sistema permite controlar eletronicamente a altura da carroceria e a atuação da suspensão. Em um automóvel desse porte, a tecnologia deverá ser calibrada prioritariamente para conforto, mantendo a carroceria estável mesmo sobre pisos irregulares. As informações sobre a suspensão ainda não são oficiais.
Elétricos ou híbridos?
A BYD não confirmou quais conjuntos mecânicos serão utilizados. A imprensa chinesa considera possível que tanto o sedã quanto o SUV sejam oferecidos em versões totalmente elétricas e híbridas plug-in.

No caso do SUV, uma das possibilidades seria o uso de uma evolução da plataforma e³, que mantém controle independente das rodas traseiras e admite uma ligação mecânica entre o motor a combustão e o eixo dianteiro.
Essa arquitetura seria mais adequada para viagens em alta velocidade e poderia apresentar consumo menor do que o sistema utilizado no Yangwang U8. O SUV atual usa a plataforma e⁴, com quatro motores elétricos independentes e um motor 2.0 turbo funcionando como extensor de autonomia.
Por enquanto, qualquer associação entre os novos protótipos e essas plataformas deve ser tratada apenas como especulação. Não existem dados oficiais de potência, bateria, autonomia ou desempenho.
Em agosto de 2026, a Yangwang entregou 442 veículos no mercado chinês. O número é pequeno diante dos volumes totais da BYD, mas a proposta da divisão não é competir em escala. Seu papel é disputar um mercado de margens elevadas e reforçar a imagem tecnológica de todo o grupo.
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