Exportações da BYD Shark caem 26% e mostram baixa aceitação da picape híbrida em vários países
Picape híbrida da BYD perde ritmo nas vendas externas em 2026, enquanto novas rivais chinesas ampliam a disputa em mercados como Austrália, Brasil e América Latina

A BYD Shark, primeira picape híbrida plug-in desenvolvida pela fabricante chinesa para os mercados internacionais, perdeu fôlego nas exportações em 2026. Dados divulgados por veículos especializados do mercado chinês apontam que a marca embarcou 20.037 unidades entre janeiro e junho, uma queda de 25,8% em relação ao mesmo período do ano passado, quando haviam sido exportadas 26.988 picapes.

Se por aqui ainda existem unidades 2025 à venda, o mesmo ocorre em outros países onde a picape recuou depois de um primeiro momento positivo.

O resultado representa uma desaceleração importante para um modelo que foi apresentado em 2024 como um dos principais produtos globais da BYD. A Shark estreou no México em um grande evento global com cobertura do R7 Autos Carros. Posteriormente, chegou a mercados como Brasil, Austrália, Chile, África do Sul, Emirados Árabes Unidos e outros países onde o segmento de picapes médias possui forte presença.

Entre as novas concorrentes estão modelos desenvolvidos por GWM, Geely, Changan e Chery, que passaram a investir em picapes híbridas plug-in, elétricas e até elétricas com extensor de autonomia. A própria Chery confirmou recentemente a Stockman (Rely P3X), enquanto outras fabricantes aceleram projetos destinados principalmente aos mercados de exportação.

Outro aspecto destacado pelo mercado chinês é a forte dependência da Shark em relação à Austrália. Somente em junho, cerca de 85% das exportações da picape tiveram como destino o mercado australiano, onde o modelo continua registrando bom desempenho comercial. Essa concentração torna os resultados globais mais sensíveis às oscilações de um único país.

No Brasil, a Shark permanece como um dos produtos mais importantes da estratégia da BYD. Lançada no fim de 2024, a picape aposta no conjunto híbrido plug-in DMO, formado por motor 1.5 turbo e dois motores elétricos, entregando 437 cv de potência combinada e 650 Nm de torque. A aceleração de 0 a 100 km/h é feita em aproximadamente 5,7 segundos, enquanto a bateria Blade de 29,6 kWh permite rodar cerca de 100 quilômetros em modo elétrico, dependendo do ciclo de medição.
BYD Sealion 07 sendo carregado na estrada
Marcos Camargo Jr 30.06.2026
Mesmo com a desaceleração da Shark, a BYD vive um momento positivo em sua operação global. Em junho, a fabricante registrou novo crescimento nas vendas internacionais, impulsionada principalmente pelos automóveis de passeio, compensando a desaceleração do mercado chinês.
O desempenho da Shark evidencia que o segmento de picapes eletrificadas entrou em uma nova fase. Se, há dois anos, a BYD praticamente inaugurou esse nicho entre as fabricantes chinesas, agora precisa disputar espaço com uma quantidade crescente de concorrentes que enxergam exatamente o mesmo potencial de expansão em mercados como Brasil, Austrália, América Latina e Oriente Médio.
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