Ferrari Luce: primeira Ferrari elétrica quer romper com o passado
Esportivo chama atenção pelo design inusitado e chega no final do ano

A Ferrari apresentou oficialmente a Luce, modelo que inaugura uma nova fase para a marca italiana ao se tornar seu primeiro carro de produção movido exclusivamente por eletricidade. Mais do que trocar um V8 ou V12 por baterias, a fabricante parece ter decidido reinterpretar o que significa dirigir uma Ferrari. E ainda que o discurso seja manter o que o consumidor gosta de comprar a casa italiana fez questão de inovar em tudo a bordo do Luce.

O nome “Luce” significa “luz” em italiano e simboliza justamente essa mudança. O modelo também quebra outra tradição: trata-se da primeira Ferrari com proposta familiar de cinco lugares e uma abordagem mais prática, sem abandonar desempenho extremo.

Visualmente, a Luce foge do desenho clássico de superesportivo baixo e agressivo. A carroceria mistura elementos de shooting brake, crossover e GT de alto desempenho, com linhas mais limpas e foco aerodinâmico. O projeto recebeu participação do estúdio LoveFrom, liderado por Jony Ive e Marc Newson.

No interior, a Ferrari foi na contramão de parte da indústria elétrica: em vez de concentrar tudo em telas, manteve comandos físicos, materiais metálicos usinados, couro e uma experiência mais tátil. Há telas OLED integradas, mas o foco está na interação mecânica com o carro. Mais de 1.000 cv e aceleração de hipercarroDebaixo da carroceria está um conjunto com quatro motores elétricos e tração integral. A potência combinada supera os 1.000 cv (1.035 hp segundo dados divulgados), suficiente para acelerar de 0 a 100 km/h em cerca de 2,5 segundos e ultrapassar os 310 km/h.

A bateria tem capacidade próxima de 122 kWh e autonomia estimada acima de 500 km em ciclo europeu. O sistema elétrico também utiliza arquitetura de alta tensão desenvolvida pela própria Ferrari para manter recarga rápida e desempenho sustentado.

Um detalhe curioso está na tentativa de preservar parte da experiência emocional da marca: a Ferrari criou um sistema que amplifica vibrações e sons mecânicos processados eletronicamente para entregar sensação mais próxima de um esportivo tradicional — sem tentar simplesmente imitar um V12. Posicionamento: não é um substituto da PurosangueA Luce não entra para substituir a Ferrari Purosangue nem para virar carro de volume. O objetivo parece ser abrir uma nova frente para mercados mais receptivos à eletrificação, especialmente na Ásia e entre clientes que querem usar uma Ferrari além do fim de semana.
O preço inicial anunciado na Europa gira em torno de € 550 mil (cerca de R$ 3,5 milhões em conversão direta), com entregas previstas para começar no fim de 2026.
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