Fiat Toro Ultra híbrida leve economiza de verdade? Testamos
Versão de R$ 206,5 mil combina motor 1.3 turbo com sistema elétrico de 48V, caçamba com cobertura rígida e pacote ampliado de segurança

A Fiat Toro chegou à linha 2027 com uma novidade importante sob o capô. As versões Volcano e Ultra passaram a utilizar um sistema híbrido-leve de 48V associado ao conhecido motor 1.3 turbo flex.
Com a mudança, a Toro tornou-se a primeira picape híbrida-leve produzida no Brasil e abriu caminho para a eletrificação de um segmento que receberá novos concorrentes nos próximos meses.
Roda da Fiat Toro híbrida
Marcos Camargo Jr. 24.08.2026
Nesta avaliação, o R7-Autos Carros testou a Toro Ultra MHEV, configuração mais cara entre as opções flex e tabelada em R$ 206.490. Ela mantém a proposta mais esportiva da gama, com elementos externos escurecidos, estribos laterais, rodas de liga leve de 18 polegadas e a cobertura rígida da caçamba, que transforma o compartimento em uma espécie de grande porta-malas.
O visual mais esportivo e atual ajuda a diferenciar a Toro “nova” dos modelos inferiores, apesar de um certo tom de exagero na grade de linhas verticais. No entanto, a tampa traseira de fibra ajuda a diferenciar a versão e faz o papel de um prático porta-malas.
Como funciona o sistema híbrido da Toro?
O conjunto mecânico combina o motor 1.3 Turbo 270 flex com um motor-gerador acionado por correia. O propulsor a combustão entrega 176 cv e 27,5 kgfm, enquanto a unidade elétrica pode fornecer até 15,5 cv e 6,6 kgfm de assistência momentânea. O sistema já aplicado nos Jeep Renegade, Toro e Commander também é “híbrido leve”, mas com 48V e não 12V, como no Fiat Pulse e Fastback.

O sistema elétrico substitui o alternador e o motor de partida convencionais. Alimentado por uma bateria de íons de lítio de aproximadamente 0,8 kWh, ele recupera energia durante as desacelerações, torna o funcionamento do start-stop mais rápido e auxilia o motor a combustão nas saídas e retomadas.

Não se trata de um híbrido pleno mas isso não é uma “má notícia”. A Toro MHEV não consegue movimentar-se utilizando somente eletricidade e também não precisa ser ligada a uma tomada.
O sistema atua de maneira complementar, principalmente nos momentos em que o motor turbo exigiria mais combustível. Na prática é possível economizar um pouco.

A transmissão continua sendo automática de seis marchas e a tração é somente dianteira. Quem precisa de tração integral deve escolher uma das versões equipadas com o motor 2.2 turbodiesel, oferecido nas configurações Volcano e Ranch.
Consumo melhora principalmente na cidade
Segundo os dados homologados pelo Inmetro, a Toro Ultra MHEV registra 7,3 km/l na cidade e 7,6 km/l na estrada quando abastecida com etanol. Com gasolina, as médias são de 10,5 km/l no ciclo urbano e 10,7 km/l no rodoviário. No nosso consumo chegamos a 10,2km/l de média com gasolina.

A Fiat afirma que a tecnologia pode reduzir o consumo urbano em até 12% e as emissões de CO₂ em aproximadamente 11%. A maior diferença tende a aparecer no trânsito, onde há mais desacelerações, frenagens e paradas para que o sistema recupere energia e desligue o motor a combustão. Na estrada, a vantagem é naturalmente menor.
Comportamento ainda lembra um SUV
A Toro utiliza construção monobloco, suspensão independente do tipo McPherson na dianteira e multilink na traseira. Essa arquitetura ajuda a explicar por que a picape apresenta comportamento mais próximo ao de um SUV do que ao de modelos médios com chassi separado da carroceria e eixo traseiro rígido.

A versão Ultra pesa aproximadamente 1.712 kg e utiliza pneus 225/60 R18. O conjunto precisa conciliar conforto no uso urbano, estabilidade em velocidades maiores e capacidade para transportar carga. A direção tem assistência elétrica, enquanto os freios utilizam discos nas quatro rodas.

Na direção e nas reações a Toro não muda. É estável, tem torque e bom conforto acústico sem mudanças em relação a 1.3 convencional que já existe há cinco anos na linha da picape.
Cabine conhecida e bem equipada
Internamente, a Ultra tem bancos revestidos em couro com acabamento específico em vermelho, bordados exclusivos e detalhes escurecidos. O painel digital tem sete polegadas, enquanto a central multimídia vertical de 10,1 polegadas oferece Android Auto e Apple CarPlay sem fio.

O pacote inclui ar-condicionado automático de duas zonas, chave presencial, partida remota, carregador de celular por indução, entradas USB dos tipos A e C, freio de estacionamento eletrônico e função Auto Hold. A ergonomia segue o padrão conhecido da Toro, com posição de dirigir elevada e comandos concentrados ao redor do motorista.

Bem equipada, a multimídia vertical ajuda a se localizar nos mapas e comandos da picape que tem banco elétrico e painel digital. O acabamento não é tão bom quanto em uma Rampage (sua “prima” de plataforma) mas agrada.
Segurança ficou mais completa
Toda a linha Toro 2027 passou a oferecer alerta de colisão frontal com frenagem automática de emergência e alerta de mudança de faixa. A Ultra acrescenta comutação automática do farol alto, monitoramento de ponto cego e alerta de tráfego cruzado traseiro.

A picape também conta com sensores de estacionamento, câmera de ré, controles eletrônicos de estabilidade e tração e o sistema TC+, que atua nos freios para reduzir a perda de aderência das rodas dianteiras. Apesar do pacote ampliado, a Toro ainda não oferece controle de cruzeiro adaptativo, o que faz falta em um veículo de R$ 200 mil.
Caçamba fechada é diferencial da Ultra
A caçamba conserva 937 litros de volume e capacidade para transportar 670 kg nas versões híbridas. A tampa traseira dividida ao meio facilita o acesso em garagens, enquanto a cobertura rígida Dynamic Bed Cover é uma exclusividade importante da Ultra.

O sistema protege melhor a bagagem e aproxima a funcionalidade da caçamba à de um porta-malas, embora seja necessário observar que a vedação de uma picape não é necessariamente igual à encontrada em um automóvel. A versão também acompanha uma bolsa de bagagem desenvolvida pela Mopar.
Onde a Toro Ultra MHEV se posiciona?
A Ultra custa R$ 9 mil a mais que a Toro Volcano MHEV, oferecida por R$ 197.490. Acima dela aparecem a Volcano 2.2 turbodiesel, por R$ 220.490, e a Ranch diesel, por R$ 238.490.
A escolha depende do tipo de utilização: o sistema híbrido-leve atende melhor quem circula predominantemente no asfalto e na cidade, enquanto o diesel mantém vantagem para carga, reboque e terrenos que exigem tração 4x4.

Entre as concorrentes, a Chevrolet Montana oferece preços menores, mas também dimensões e capacidade inferiores. A Ram Rampage é mais potente e sofisticada, porém ocupa uma faixa de preço superior. Já a Ford Maverick Hybrid utiliza um sistema híbrido pleno, capaz de movimentar a picape eletricamente em algumas situações, mas também custa mais.

A concorrência será ampliada com a chegada de novos produtos, como Volkswagen Tukan, Renault Niagara e a picape híbrida plug-in da BYD. Esse movimento ajuda a explicar por que a Fiat antecipou a eletrificação da Toro, modelo que já acumula mais de 650 mil unidades produzidas desde 2016.
Vale a pena comprar?
A Toro Ultra MHEV aposta menos em uma transformação de desempenho e mais na melhoria da eficiência e do funcionamento cotidiano. A assistência elétrica ajuda principalmente no trânsito urbano, mas não oferece a experiência de condução nem a economia de um híbrido pleno ou plug-in.
Por R$ 206.490, a Ultra reúne um bom pacote de equipamentos, segurança mais completa e a exclusiva cobertura rígida da caçamba. A ausência de tração 4x4 limita sua vocação fora de estrada, enquanto o ganho de consumo precisa ser analisado diante da diferença de preço para as versões convencionais.
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