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Geely usará fábricas da Volvo na Europa para produzir carros chineses a partir de 2028

Modelos de alto padrão desenvolvidos pelo grupo na China poderão sair das linhas europeias da Volvo

Autos Carros|Marcos Camargo JrOpens in new window

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Modelo da Volvo na linha de produção Volvo/Divulgação

A Geely pretende utilizar as fábricas europeias da Volvo para produzir veículos de alto padrão desenvolvidos originalmente na China. A informação foi confirmada por An Conghui, recém-nomeado chairman da Geely Automobile, durante a apresentação dos resultados financeiros da companhia. Segundo o executivo, a produção em série deverá começar em 2028.


Linha de produção da Volvo na Europa: 3 fábricas com excesso de capacidade Volvo/Divulgação

A Volvo vive um momento delicado na Europa. As vendas caíram 4% no primeiro semestre com 164.663 unidades vendidas. Em 2025 a queda sobre 2024 chegou a 8% no Velho Continente.

Linha de produção da Volvo na Europa: 3 fábricas com excesso de capacidade Volvo/Divulgação

An Conghui afirmou que as unidades da Volvo serão transformadas em uma base importante para a estratégia de produção local da Geely na Europa. O executivo, entretanto, não revelou quais modelos, marcas ou fábricas participarão inicialmente do projeto. Pela estrutura atual do grupo, os candidatos mais prováveis são veículos da Zeekr e da Lynk & Co, marcas que já atuam no mercado europeu e ocupam posições superiores à Geely convencional.


Linha de produção da Volvo na Europa: 3 fábricas com excesso de capacidade Volvo/Divulgação

A Geely Automobile controla atualmente a própria Geely Auto e o Zeekr Group, estrutura que reúne Zeekr e Lynk & Co. Acima dela está a Zhejiang Geely Holding, conglomerado fundado por Li Shufu e proprietário também da Volvo Cars, Polestar, Lotus e de participações em marcas como Smart. Essa composição facilita o compartilhamento de plataformas, motores, baterias, componentes eletrônicos e fábricas entre empresas que preservam identidades comerciais distintas.

Linha de produção da Volvo na Europa: 3 fábricas com excesso de capacidade Volvo/Divulgação

Li Shufu já havia afirmado que a Geely preferia aproveitar as instalações europeias da Volvo em vez de construir novas fábricas no continente. Na avaliação do empresário, a indústria automotiva mundial enfrenta um problema sério de excesso de capacidade, o que tornaria pouco racional investir bilhões de euros em novas unidades enquanto plantas existentes ainda podem receber mais modelos.


Quais fábricas poderão ser utilizadas?A Volvo mantém duas fábricas tradicionais na Europa. A unidade de Torslanda, nos arredores de Gotemburgo, na Suécia, foi inaugurada em 1964 e atualmente concentra modelos maiores e de maior valor agregado. Já a fábrica de Ghent, na Bélgica, produz veículos como XC40, EX40, EC40, V60 e o elétrico compacto EX30.

Produção do Volvo EX90 nos EUA Volvo/Divulgação

Somadas, Torslanda e Ghent têm capacidade para aproximadamente 600 mil automóveis por ano. A unidade belga produziu pouco mais de 212 mil veículos em 2025 e recebeu investimentos de cerca de 200 milhões de euros para incorporar a plataforma e as linhas do EX30, modelo que anteriormente chegava à Europa apenas importado da China.A terceira possibilidade é a nova fábrica da Volvo em Kosice, na Eslováquia. Projetada para produzir até 250 mil veículos por ano, a unidade deverá iniciar a fabricação em grande escala no começo de 2027. O primeiro produto será um Volvo elétrico de nova geração, enquanto o Polestar 7 já está confirmado para entrar na linha de montagem em 2028.


Produção local evita tarifas sobre elétricos chinesesProduzir na Europa oferece uma vantagem importante para a Geely: evitar as tarifas adicionais cobradas pela União Europeia sobre veículos elétricos fabricados na China. Desde 2024, o bloco aplica sobretaxas diferentes conforme a fabricante, além do imposto convencional de importação de 10%.Ao transferir parte da produção para Suécia, Bélgica ou Eslováquia, a Geely poderá reduzir custos logísticos e tributários, além de adaptar mais rapidamente os veículos às exigências europeias. A companhia seguirá usando projetos, plataformas e tecnologias desenvolvidos na China, mas realizará localmente etapas como estampagem, soldagem, pintura e montagem final.A Zeekr já vende modelos elétricos como 001, X e 7X em mercados europeus, mas ainda depende principalmente da produção chinesa. A fabricação local seria importante para aumentar os volumes e competir de maneira mais direta com BMW, Mercedes-Benz, Audi, Porsche e Tesla.An Conghui assumiu a presidência do conselho da Geely Automobile no lugar de Li Shufu, que permanece chairman da Geely Holding e principal controlador do grupo. A mudança faz parte de um processo de sucessão e profissionalização da administração.

Ao mesmo tempo, Gan Jiayue assumiu o cargo de CEO da Geely Auto, enquanto Gui Shengyue passou à vice-presidência do conselho. A reorganização ocorre enquanto a empresa procura reduzir disputas internas entre suas numerosas marcas e ampliar a presença fora da China. A Zeekr já atua no Brasil de forma cada vez mais próxima da Geely e já confirmou a entrada da Lynk&Co no mercado brasileiro em 2027.

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