Honda volta a admitir parceria com a Nissan e mantém porta aberta para nova aliança
Toshihiro Mibe afirma que integração ainda é possível caso a Nissan avance em sua reestruturação

A possibilidade de uma nova aproximação entre Honda e Nissan voltou ao centro das discussões da indústria automotiva japonesa. O presidente e CEO da Honda, Toshihiro Mibe, afirmou que uma parceria mais ampla entre as duas empresas ainda pode se concretizar no futuro, desde que a Nissan avance em seu processo de recuperação financeira e operacional.

A notícia que circulou em 2024 chegou a ser descartada ano passado após o plano Re:Nissan mas agora volta ao centro das discussões.

A declaração representa uma mudança de tom poucos meses após o fracasso das negociações para a criação de uma holding que daria origem ao terceiro maior grupo automotivo do mundo, atrás apenas de Toyota e Volkswagen.

As conversas foram encerradas depois que a Honda propôs transformar a Nissan em subsidiária, condição rejeitada pela então administração da fabricante de Yokohama.

Segundo veículos da imprensa japonesa, Mibe reconheceu que o ambiente competitivo global exige novas formas de cooperação e que uma integração mais profunda continua sendo uma alternativa viável caso a Nissan consiga executar seu plano de reestruturação. O executivo ressaltou que o avanço das montadoras chinesas e o elevado custo do desenvolvimento de tecnologias de eletrificação tornam praticamente impossível que empresas tradicionais atuem de maneira isolada no longo prazo.

A situação da Nissan segue delicada. A companhia atravessa uma das piores crises de sua história recente, acumulando prejuízos bilionários, cortes de investimentos e mudanças frequentes em sua liderança. Em apenas sete anos, a empresa passou por três presidentes diferentes desde a saída de Carlos Ghosn, enquanto tenta recuperar competitividade diante da crescente participação das marcas chinesas nos mercados globais.

Mesmo após o rompimento das negociações de fusão, Honda e Nissan mantiveram acordos de cooperação em áreas estratégicas. As empresas seguem trabalhando conjuntamente no desenvolvimento de softwares, eletrificação e plataformas para veículos inteligentes, preservando canais de diálogo que podem servir como base para uma futura integração mais ampla.

A eventual união teria proporções gigantescas. Pelos números originalmente apresentados, Honda e Nissan, juntamente com a Mitsubishi Motors, poderiam ultrapassar a marca de 8 milhões de veículos vendidos por ano, formando o terceiro maior conglomerado automotivo do planeta. O objetivo seria ganhar escala para enfrentar concorrentes como Tesla, BYD, Geely e outras fabricantes chinesas que avançam rapidamente em eletrificação e desenvolvimento de software embarcado.

Para o mercado brasileiro, qualquer aproximação futura também teria impacto relevante. Honda e Nissan mantêm operações industriais consolidadas no país, produzindo modelos estratégicos como City, HR-V, Kicks, Kait e Versa. Uma eventual parceria global poderia resultar em compartilhamento de plataformas, motores híbridos e tecnologias de conectividade, repetindo movimentos já observados em outras alianças da indústria mundial.
A mensagem de Toshihiro Mibe foi claramente entendida pela Nissan que até agora não confirmou negociações.
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