Inmetro revela quatro versões do Onix Plus movidas somente a etanol
Tabela do PBE Veicular antecipa configurações Turbo AT, LT, LTZ e Premier com motor 1.0 turbo e câmbio automático; estratégia reduz o IPI e também pode diminuir o IPVA

Uma atualização da tabela do Programa Brasileiro de Etiquetagem Veicular, o PBEV, revelou que a Chevrolet prepara uma ampliação importante da oferta de carros movidos exclusivamente a etanol. O documento do Inmetro, publicado em 14 de agosto e consultado no dia 15, relaciona quatro configurações do sedã Onix Plus abastecidas somente com o combustível vegetal: Turbo AT, LT, LTZ e Premier. Todas utilizam motor 1.0 turbo e câmbio automático de seis marchas.
Chevrolet Sonic com acessórios originais
A presença das quatro versões no PBEV indica que a estratégia iniciada com o Onix Eco mais acessível poderá avançar para praticamente toda a linha automática do sedã, embora a Chevrolet ainda não tenha anunciado oficialmente preços ou datas para as novas configurações.

Os dados do Inmetro mostram o mesmo consumo para as quatro versões monocombustíveis: 9,1 km/l na cidade e 11,1 km/l na estrada. A igualdade ocorre porque Turbo AT, LT, LTZ e Premier compartilham o conjunto mecânico, apesar das diferenças de acabamento, rodas e equipamentos.

A tabela também aponta configurações equivalentes para o Onix hatch, reforçando que a GM estuda transformar o motor exclusivamente a etanol em uma alternativa mais ampla dentro da família, e não apenas em uma edição voltada a frotistas.

Motor turbo continua com câmbio automáticoO Onix Eco lançado inicialmente pela Chevrolet utiliza o conhecido motor 1.0 turbo de três cilindros, calibrado para funcionar apenas com etanol, associado ao câmbio automático de seis marchas. A especificação comercial divulgada pela marca informa 115 cv de potência e 16,8 kgfm de torque.

Existem referências de homologação indicando números superiores para calibrações mais recentes, mas a Chevrolet ainda não confirmou se as versões LT, LTZ e Premier adotarão uma atualização de potência. Até a divulgação da ficha técnica definitiva, os dados oficiais conhecidos permanecem em 115 cv e 16,8 kgfm.A principal diferença em relação ao Onix flex está no sistema de gerenciamento eletrônico. Como o motor não precisa trabalhar com gasolina, a calibração pode ser otimizada para as características do etanol, combustível que suporta maior taxa de compressão e tem elevada resistência à detonação.

No sedã, a GM já havia informado aceleração de zero a 100 km/h em 10,5 segundos e retomada de 80 a 120 km/h em 8,3 segundos. O consumo rodoviário de 11,1 km/l representa uma pequena evolução sobre o Onix Plus turbo automático flex quando abastecido com etanol.

Por que os carros somente a etanol voltaram?A razão principal é tributária. As novas regras do Programa Mover e do Carro Sustentável concedem benefícios maiores aos veículos compactos com menor impacto ambiental, elevada eficiência energética e fabricação nacional.

Pela metodologia utilizada para a tributação ambiental, o etanol apresenta vantagem por ser um combustível renovável. O carbono liberado durante a combustão é parcialmente compensado pelo CO₂ absorvido no cultivo da cana-de-açúcar. Ao retirar a gasolina da homologação, a fabricante melhora o enquadramento ambiental do veículo e pode obter uma redução maior de IPI. Essa vantagem permitiu que o primeiro Onix Turbo AT Eco chegasse por R 102.890. O Onix Plus Eco foi apresentado por R$` 103.990 na oferta inicial. Assim, a Chevrolet conseguiu oferecer motor turbo e câmbio automático pelo preço de versões de entrada.Outro benefício possível aparece no IPVA, mas não vale igualmente em todo o Brasil porque o imposto é estadual. Em São Paulo, automóveis de passeio a gasolina ou flex pagam alíquota de 4% sobre o valor venal, enquanto veículos movidos exclusivamente a etanol são enquadrados na alíquota de 3%.
Traseira do Chevrolet Trailblazer Midnight
Marcos Camargo Jr 31.07.2026
Em um Onix Plus avaliado em R$ 110 mil, por exemplo, o IPVA cairia teoricamente de R$ 4.400 para R`$ 3.300, uma economia anual de R$ 1.100. O cálculo definitivo dependerá do valor venal determinado pela Secretaria da Fazenda e da classificação registrada no documento do veículo.
Volkswagen e Stellantis estudam o mesmo caminho
A Chevrolet provavelmente não ficará sozinha. A Volkswagen já confirmou estudos com motores dedicados ao etanol e chegou a testar a solução em uma Saveiro. Por se tratar de um utilitário bastante utilizado por empresas, a picape seria uma candidata natural para receber a tecnologia, especialmente em vendas diretas.A Stellantis também mantém motores monocombustíveis em desenvolvimento. O grupo responsável por Fiat, Jeep, Peugeot e Citroën afirma que a tecnologia está tecnicamente pronta, mas condiciona sua adoção comercial a incentivos que sejam percebidos pelo consumidor, como redução de impostos, vantagens no IPVA, crédito facilitado e eventual isenção de rodízio.
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