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Lada Iskra SW mostra como a Rússia mantém vivo o carro simples e barato

Perua tem motor 1.6 aspirado e custa menos de R$ 90 mil na Rússia e está longe de ser um carro pequeno

Autos Carros|Marcos Camargo JrOpens in new window

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Lada Iskra deixando a linha de montagem em sua versão de entrada Lada/Divulgação

A Lada iniciou uma nova fase com o Iskra SW, perua compacta desenvolvida pela AvtoVAZ para ocupar o espaço de modelos populares no mercado russo. O modelo chama atenção não apenas pelo formato de perua, cada vez mais raro em vários mercados, mas também pela receita técnica simples: motor 1.6 aspirado, câmbio manual e proposta de baixo custo.

Interior do Lada Iskra Lada/Divulgação

Com preço que parte dos US$ 16,1 mil na linha 2027, o carro custa menos de R$ 90 mil em valores convertidos. E se por aqui esse orçamento comporta apenas um carro de entrada como Renault Kwid, Fiat Mobi e Citroën C3 sempre com motor 1.0, o mercado russo pode oferecer mais aos clientes.


Banco traseiro Lada Iskra Lada/Divulgação

A versão mais recente da perua Iskra SW Drive passou a combinar o motor 1.6 de 106 cv com câmbio manual de seis marchas. Há também configurações mais simples com o mesmo 1.6 aspirado em versão de 90 cv e câmbio manual de cinco marchas. A tração é sempre dianteira e a proposta é claramente racional, com foco em preço, manutenção simples e robustez mecânica.

Painel do Lada Iskra Lada/Divulgação

A base do Iskra tem origem na arquitetura CMF-B da Renault-Nissan, usada em modelos modernos da Dacia e Renault, mas profundamente adaptada pela AvtoVAZ após a saída da Renault do mercado russo.


Bancos dianteiros do Lada Iskra Lada/Divulgação

Segundo informações divulgadas sobre o projeto, a engenharia local substituiu componentes eletrônicos, nacionalizou fornecedores e alterou centenas de peças para reduzir a dependência de tecnologia estrangeira.

Traseira do Lada Iskra Lada/Divulgação

Esse ponto cria uma ligação curiosa com o Brasil. Embora o Iskra não use exatamente a mesma plataforma dos atuais Duster e Oroch nacionais, ele nasce de uma estratégia parecida: aproveitar uma base conhecida, barata e flexível para criar carros acessíveis. No Brasil, Duster e Oroch ainda derivam da antiga família B0/Global Access, arquitetura que também sustentou Logan, Sandero e Captur nacional. Essa base completa cerca de 20 anos desde sua estreia global no Logan e ainda segue relevante em mercados emergentes.


Lada Iskra laranja estacionado Lada/Divulgação

Na Rússia, a mesma lógica de reaproveitamento técnico deve continuar. Imagens de patente e flagras recentes indicam que a Lada prepara um novo SUV com inspiração clara no Duster.

Lada Iskra: perua com motor 1.6 de 90cv com proposta de espaço interno Lada/Divulgação

O projeto personifica a ideia de um utilitário moderno para a marca russa, mas com soluções próprias e independentes da Renault. Na prática, a Lada tenta transformar antigas conexões técnicas com a marca francesa em uma nova família nacional de produtos.


O contexto regulatório também ajuda a explicar essa estratégia. A Rússia não tem hoje regras de emissões e segurança comparáveis às exigidas na União Europeia ou em outros grandes mercados. Em 2025, um decreto assinado por Vladimir Putin estabeleceu nova meta climática para 2035 e, na prática, abriu margem para emissões maiores em relação a 2021, desde que o país mantenha o cálculo baseado na comparação com os níveis de 1990 e na capacidade de absorção de carbono por florestas.

Esse ambiente permite que modelos como o Lada Iskra SW continuem apostando em motores aspirados simples, sem eletrificação, sem sistemas híbridos e sem o mesmo pacote de tecnologias de assistência exigido em mercados mais rígidos. É uma realidade muito diferente da Europa, onde normas ambientais e de segurança elevaram custos e empurraram as fabricantes para eletrificação e plataformas mais sofisticadas.

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Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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