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Montadoras associadas à Anfavea cobram velocidade para responder concorrentes

Evento em SP reúne executivos que discutem atalhos e inovação para responder a onda de concorrentes especialmente os chineses

Autos Carros|Marcos Camargo JrOpens in new window

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Ariel Montenegro (presidente da Renault Geely), Herlander Zola (CEO da Stellantis), Igor Calvet (presidente da Anfavea) e Evandro Maggio (presidente da Toyota do Brasil) Anfavea/Divulgação

Em um mercado cada vez mais competitivo mas de crescimento lento, as empresas debatem ações sobre como coordenar os avanços da indústria automotiva. Em 2025, as vendas de veículos novos registraram 2,5 milhões de unidades mas com um cenário apertado para as fabricantes tradicionais. As fábricas associadas à Anfavea discutiram hoje soluções para garantir a competitividade em um cenário de entrada de marcas chinesas e crescimento rápido na eletrificação. E as respostas precisam ser rápidas, segundo executivos ouvidos pelo R7-Autos Carros.O encontro ocorreu durante o Anfavea Visions, um encontro de executivos das principais montadoras instaladas no país. O evento organizado pela The Experience Company acontece nesta semana em São Paulo.


Ariel Montenegro (presidente da Renault Geely), Herlander Zola (CEO da Stellantis), Igor Calvet (presidente da Anfavea) e Evandro Maggio (presidente da Toyota do Brasil) Anfavea/Divulgação

“Foram 4,4 milhões de automóveis vendidos na região pela Stellantis no ano passado. Na América Latina representamos 18% das vendas totais da região. Olhamos para a América do Sul com prioridade, localização e busca de soluções para competitividade e eu defendo um modelo de negócios que garanta a indústria forte”, disse Herlander Zola, CEO da StellantisA fala de Zola foi uma resposta ao presidente da Anfavea Igor Calvet que mediou um debate sobre a inovação necessária para a competição em um cenário desafiador.

Ariel Montenegro (presidente da Renault Geely), Herlander Zola (CEO da Stellantis), Igor Calvet (presidente da Anfavea) e Evandro Maggio (presidente da Toyota do Brasil) Anfavea/Divulgação

“Temos um mercado importante com quase 3 milhões de unidades, sexto maior mercado do mundo e por isso investimos R$ 11,5 bilhões e acreditamos que temos que disputar esse mercado. O importante é termos um programa de longo prazo como os países que fizeram revoluções na indústria”, disse Evandro Maggio, presidente da Toyota do Brasil.


Fábrica da Stellantis no Brasil

No entanto, os executivos foram unânimes ao apontar entraves burocráticos, a tributação forte e custos altos para produção de modo que o Brasil evolua no mercado interno e possa exportar com mais eficiência para atender a região. Reformas são urgentes“As mudanças são rápidas e profundas. Temos que nos adaptar e muitas vezes os programas não são ágeis para nos adaptarmos. O mercado não cresce na proporção que a competição chega, a produção não cresce mas estamos importando muito mais. Mas qual a reforma que precisamos para continuar competindo?”, disse Ariel Montenegro, presidente da Renault GeelyOutro ponto importante do debate mostra que a solução para manter o Brasil competitiva no mercado global e para crescer na exportação é a eficiência e a localização. Os mercados são cada vez mais abertos e esse é o desafio, lembrou Montenegro. “Localização e engenharia são os segredos para os potenciais que o Brasil tem como matriz limpa, biocombustíveis e isso vai nos tornar mais competitivos”, disse Maggio.

Fábrica da Stellantis no Brasil

“Programas como o Mover, Carro Sustentável e Move Brasil são bons. Precisamos de ferramentas para nos tornarmos competitivos em ciclos de investimento de longo prazo”, diz Ariel Montenegro, relembrando o cenário interno que esbarra em baixa capacidade de financiamento e alto custo de capital, ponto também levantado por Herlander Zola.“O custo do aço é 30% na produção de um veículo aqui enquanto na China é muito menor. Aqui o custo do capital é 20% enquanto na China é 2 ou 3%. E eles tem alta capacidade produtiva de modo que é difícil competir mas temos vantagens e nosso foco deve estar justamente na localização e na alta capacidade de produção local”; disse Zola relembrando as parceiras que a Stellantis já tem no Brasil como a Leapmotor e globalmente com a Dongfeng.


“O tempo será chave para fazermos uma transição para a próxima fase da mobilidade mantendo a estrutura e pujança que a indústria local tem. Temos ativos, uma base de fornecedores capaz, competentes, brigando para se adequar, engenharia competitiva, matriz energética para uma produção com pegada de carbono menor e etanol que pode favorecer essa solução local. Temos agenda mas temos que acelerar a agenda”, disse Montenegro.

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