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Como o trabalho do cuidado, que não é remunerado, se apresenta no seu dia a dia?

Essas tarefas, infelizmente, não são vistas como um trabalho formal, como uma atividade produtiva

Chá de Ideias|Do R7

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Chá de Ideias desta semana é o chá de capim-cidreira, conhecido pelo seu aroma cítrico e utilizado porque tem um efeito relaxante e levemente analgésico.

Eu falo desse tipo de chá porque é o chá do cuidado, é o chá que tomamos quando não nos sentimos bem e apostamos nos conhecimentos caseiros e familiares, daqueles que viram marca registrada e que são conhecimentos passados de uma geração para outra, em geral, pelas mulheres. Mas por qual razão eu estou chamando a atenção disso? Porque hoje nós vamos tratar sobre o cuidado. Não apenas a economia do cuidado, mas todo o trabalho do cuidado.

Nós sabemos que o cuidado é uma tarefa delegada normalmente às mulheres. Vem de uma ideia inicial de que isso seria instintivo ou seria um talento e acabou virando uma obrigação, uma imposição cultural, uma questão social.

Ocorre que essas tarefas não são vistas como um trabalho formal, como uma atividade produtiva. Elas são invisíveis, não remuneradas, não contam para o tempo de previdência.

São as nossas conhecidas múltiplas jornadas, aquele trabalho que não é feito no mercado profissional, na empresa, na organização, onde desenvolvemos as nossas profissões, mas que muitas vezes nos esperam nas nossas casas todos os dias.

Para que vocês tenham uma ideia, os homens investem 11 horas semanais no trabalho do cuidado, as mulheres quase o dobro, 21 horas.

De acordo com estudos, o trabalho é dividido entre o trabalho produtivo e o trabalho reprodutivo. O trabalho produtivo é aquele que é mensurado em dinheiro, que dá lucro, que tem uma função dentro do mercado. E o trabalho reprodutivo é o trabalho de manutenção da vida e dura toda a vida.

Se todas as mulheres e meninas do mundo envolvidas no trabalho do cuidado ganhassem por esse trabalho, esses valores representariam a inclusão de 1,8 trilhão de dólares na economia global.

Eu sou Ilana Trombka e esse é mais um Chá de Ideias. Até a próxima segunda-feira, nosso encontro semanal com boas reflexões e grandes debates. 


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Ilana Trombka é diretora-geral do Senado Federal desde 2015. Mestre em Comunicação Social e graduada em Relações Públicas pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), também tem especialização em Direito Legislativo pela Universidade Federal do Mato Grosso do Sul (UFMS). Ainda é doutora em Administração de Empresas pela EAESP-FGV. Foi finalista do Prêmio Viva 2018 e vencedora de duas edições do Prêmio Opinião Pública (POP).

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