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Aproveitem o mês de junho de festas, Copa do Mundo e para guardar o que é essencial

Valorizemos aquilo que é fundamental, aquilo que nos torna quem somos, aquilo que nos marca como a raiz

Chá de Ideias|Do R7

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Chá de Ideias desta semana é um chá que faz parte da cultura do meu Rio Grande, o chimarrão. Ele é uma infusão de erva-mate com água a mais ou menos 70 graus. É uma bebida rica em cafeína e antioxidantes, símbolo, como eu já falei, da cultura gaúcha.


E, se o chimarrão é uma tradição, esse é o momento do ano de tradições, especialmente aqui em Brasília e no Nordeste, nas festas juninas.

Eu, que sou gaúcha, aprendi a admirar as festas juninas, e mais que admirar, amar as festas juninas aqui em Brasília.

Uma amiga minha, que é uma influencer digital, trouxe, nesses últimos dias, uma discussão para todos nós. Raquel Andrade, essa minha amiga influencer, falou da modernização excessiva das festas juninas, que não deixava mais espaço para a tradição, para os cantores locais que há décadas fazem com que essa festa seja tão característica pela sua música, pela sua dança, e também pela sua comida deliciosa, pelas quadrilhas lindas, um verdadeiro espetáculo.

Além de concordar com a Raquel, quero ampliar esse debate, no sentido de que nós possamos pensar o que perdemos quando modernizamos além do ponto. E essa é a gênese de um ditado português que nós conhecemos bem e que nos lembra que os anéis podem ir, mas os dedos têm que ficar. Vão-se os anéis, ficam os dedos.

O bem material, o supérfluo, que são os anéis, podem ser descartados ou perdidos, desde que a vida, a saúde, a essência, os dedos, continuem preservados. Por um lado, podemos pensar que os anéis são o mal menor, mas eu digo que os anéis são aquilo que se agrega ao essencial.

Por exemplo, estamos em uma época de Copa do Mundo. O futebol, que já foi o futebol talento, o futebol do Pelé, do Garrincha e do Romário. Será que o futebol moderno, o futebol força, preservou o que é fundamental, que é o talento?

Não que não se possa modernizar e trazer a condição física do jogador como algo fundamental, porque ela realmente é. E aí eu te pergunto: se Pelé fosse vivo, na sua melhor condição, ele continuaria tendo menos espaço, tendo espaço para mostrar o seu talento genuíno?

Por outro lado, nós sabemos que essa modernização permite que, por exemplo, jogadores como Cristiano Ronaldo joguem em alto nível até os 42 anos.

Portanto, temos uma raiz, que é o talento do futebol, de que não podemos abrir mão, mas alguns anéis, como o cuidado com a questão física, como o trabalho psicológico, nutricional, dentro dos times, são anéis bons, anéis que têm que ficar.

Outra questão, por exemplo, é a relação do brincar entre as crianças. Quando o celular passou a ser o objeto principal da relação da criança com o brincar, o brincar se tornou algo solitário, algo individual.

Tiramos o celular das escolas por lei, aliás, uma lei muito importante, e as crianças voltaram a brincar, voltaram a conversar, voltaram a buscar as amizades de perto, não só as amizades de longe, as mediadas pelo celular.

Mas descobrir outras pessoas de perto com quem nós queremos estar juntos é um ganho incrível. E é exatamente por isso que o Chá de Ideias existe, para que a gente possa se conhecer melhor de perto e se comunicar de longe. Mas, quando, voltando à amizade das crianças, aquela amizade olho no olho, ombro amigo, aperto de mão, isso é muito importante.

E, para terminar, um terceiro exemplo.

Em que medidas as relações mediadas pelo WhatsApp facilitaram a comunicação? Bom, é rápido, é simples, mas dá muito problema, especialmente quando as pessoas não entendem direito o tom da mensagem. Muitas vezes, por questões que, se a gente tivesse próximo, olho no olho, frente a frente, seriam tão menores que amizade, mas, nessa época de eleição, basta uma palavra e as relações já se foram. Às vezes, da família, às vezes, dos amigos, simplesmente relações mediadas pela tecnologia que se acabam tão rápido.

E eu termino com esse alerta, porque as eleições estão aí. Eu espero, de todo o meu coração, que nós não tenhamos as brigas em família, em grupo de grandes amigos, por posições políticas.

Resumo da ópera para o nosso chá não esfriar. Valorizemos aquilo que é fundamental, aquilo que nos torna quem somos, aquilo que nos marca como a raiz. Afinal de contas, quem não sabe de onde saiu, quem não sabe onde a sua raiz está pintada, nunca poderá voltar para ela para se nutrir, para buscar água, para buscar o solo que nos mantém vivos. Vão-se os anéis, ficam os dedos. Muito obrigada por estar comigo em mais um Chá de Ideias. E aproveitemos esse mês de junho, de festa junina, de Copa do Mundo, para trocar figurinhas, estar com nossos filhos e filhas, estar com nossos amigos, torcer pelo Brasil e guardar o que é essencial, aquilo que define o que é tão importante. Até a próxima semana, em mais um Chá de Ideias, que é algo que define a nossa relação, essa nossa troca semanal. Te espero na próxima segunda-feira.

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Ilana Trombka é diretora-geral do Senado Federal desde 2015. Mestre em Comunicação Social e graduada em Relações Públicas pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), também tem especialização em Direito Legislativo pela Universidade Federal do Mato Grosso do Sul (UFMS). Ainda é doutora em Administração de Empresas pela EAESP-FGV. Foi finalista do Prêmio Viva 2018 e vencedora de duas edições do Prêmio Opinião Pública (POP).

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