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Transformar ou não uma geração de mulheres cansadas vai depender de nós

As mulheres da geração sanduíche enfrentam situação muito diversa da que as antecederam e as sucederão

Chá de Ideias|Do R7

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Chá de Ideias desta semana é de maçã, que ajuda a melhorar a digestão, fortalecer a imunidade e auxiliar o controle do colesterol. Uma bebida quentinha e deliciosa para esse nosso início de inverno.

Vamos falar das mulheres "geração sanduíche". Como eu, elas são aquelas entre 40 e 60 anos que vivem uma situação muito típica entre si e, ao mesmo tempo, muito diversa em relação às gerações que as antecederam e às gerações que as sucederão.

São mulheres que entraram 100% de cabeça no mercado de trabalho. As nossas mães eram donas de casa ou trabalhavam em tempo parcial, em sua maioria. Então, não dividiam de forma igualitária a responsabilidade pela manutenção da casa.

As mulheres geração sanduíche são educadas com proximidade das tecnologias de comunicação de massa, o que traz como consequência a descoberta do alegre, feliz e desconhecido mundo distante. Especialmente a popularização da televisão trouxe o contato com o mundo externo, outros países, outras culturas, e por isso passou a ser mais comum o estudo de línguas estrangeiras.

Somos também uma geração que não é nativa digital, talvez a última geração que não nasceu vindo de fábrica, com a convivência dos computadores, da comunicação em rede, da inteligência artificial. Isso, por um lado, nos obriga a um constante aprendizado e a exercitar continuamente a habilidade de aprender, desaprender e reaprender o tempo todo.

Ao mesmo tempo, acaba trazendo um desgaste, um cansaço, um desafio de seguir estimulando o cérebro e seguir sempre na busca de novos conhecimentos.

As mulheres geração sanduíche optaram, pela primeira vez, por adiar a maternidade. Temos filhos mais velhos, fazendo com que cheguem à conhecida meia-idade, ainda com o encargo de investir emocional e financeiramente neles.

Também, algumas de nós foram mais além e tiveram a coragem de assumir a decisão de não ter filhos. Por outro lado, o aumento da média de vida do brasileiro faz com que nossos pais vivam mais, mas nem sempre melhor.

Somos também responsáveis pelos cuidados com eles e, por vezes, pelo apoio financeiro e, especialmente, com gastos de saúde e manutenção que, naturalmente, crescem na velhice.

Chegamos à menopausa buscando envelhecer bem sob o aspecto físico e mental. Nós nos mantemos ativas mesmo depois da aposentadoria e investimos em um autocuidado que, ao mesmo tempo, alimenta as indústrias da educação física, da alimentação saudável e da estética.

Temos muito mais papéis e encargos que as gerações anteriores. O que pode se transformar, sem dúvida, em uma geração de mulheres cansadas, porque há uma enorme cobrança sobre nós.

Transformarmos ou não numa geração de mulheres cansadas vai depender de nós, da forma como nos organizamos e como priorizamos em nossas vidas e daqueles que dividem a vida conosco.

Muito obrigada por estar comigo até aqui. Diga-me, se você vê a igualdade de gênero logo ali, você se considera uma mulher-geração sanduíche? Como esse novo tempo se manifesta? Eu quero saber a sua opinião.

Eu sou Ilana Trombka e esse é mais um Chá de Ideias. Até a próxima segunda-feira, nosso encontro semanal com boas reflexões e grandes debates. 


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Ilana Trombka é diretora-geral do Senado Federal desde 2015. Mestre em Comunicação Social e graduada em Relações Públicas pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), também tem especialização em Direito Legislativo pela Universidade Federal do Mato Grosso do Sul (UFMS). Ainda é doutora em Administração de Empresas pela EAESP-FGV. Foi finalista do Prêmio Viva 2018 e vencedora de duas edições do Prêmio Opinião Pública (POP).

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