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Ciência para o Dia a Dia

Entenda como a ansiedade afeta várias partes do seu corpo

Estudo associa sintomas físicos de ansiedade a alterações no cortisol, na inflamação e na variabilidade da frequência cardíaca

Ciência para o Dia a Dia|Camille Perella CoutinhoOpens in new window

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • A ansiedade manifesta-se não apenas na mente, mas também com sintomas físicos como coração acelerado e tensão muscular.
  • Estudo recente analisou a relação entre sintomas de ansiedade e depressão e marcadores fisiológicos como cortisol, inflamação e variabilidade da frequência cardíaca.
  • A ativação ansiosa mostrou associações consistentes com alterações no cortisol e em marcadores inflamatórios, diferentemente da anedonia.
  • Os resultados destacam a importância de considerar a heterogeneidade dos sintomas de ansiedade e depressão em pesquisas de saúde mental.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

A ansiedade não acontece apenas na mente: o corpo também sente Imagem Gerada por AI

A ansiedade não acontece apenas na mente. Coração acelerado, tensão muscular, alterações na respiração e sensação constante de alerta mostram como o corpo participa dessa experiência.

Quando esses sintomas se tornam persistentes, seus efeitos também podem ser observados em mecanismos fisiológicos relacionados à resposta ao estresse.


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Um estudo recente investigou essa relação, analisando sintomas de ansiedade e depressão juntamente com diferentes marcadores fisiológicos. Os pesquisadores utilizaram dados de duas grandes amostras populacionais dos Estados Unidos e avaliaram cortisol, marcadores inflamatórios e variabilidade da frequência cardíaca.

Um dos aspectos mais interessantes do trabalho foi a forma de avaliar ansiedade e depressão. Em vez de considerar apenas diagnósticos ou pontuações gerais em questionários, os pesquisadores separaram os sintomas em diferentes dimensões.


Foram considerados o sofrimento emocional comum às duas condições, a anedonia, caracterizada principalmente pela perda de interesse e prazer, e a ativação ansiosa, relacionada às manifestações físicas da ansiedade.

A ativação ansiosa apresentou as associações mais consistentes com os marcadores estudados. Pessoas com níveis mais elevados desses sintomas apresentaram uma curva diária de cortisol mais achatada, concentrações mais altas de proteína C-reativa e interleucina-6 e menor variabilidade da frequência cardíaca.


O cortisol normalmente apresenta níveis mais elevados próximos ao despertar e diminui progressivamente ao longo do dia. Uma redução menos pronunciada pode estar relacionada a alterações na regulação da resposta ao estresse.

A proteína C-reativa e a interleucina-6, por sua vez, estão envolvidas em processos inflamatórios, enquanto a variabilidade da frequência cardíaca reflete aspectos da regulação do sistema nervoso autônomo.


Os resultados chamam a atenção porque alterações no cortisol e em marcadores inflamatórios têm sido frequentemente associadas à depressão. No novo estudo, entretanto, a anedonia apresentou associações mais fracas e menos consistentes do que aquelas observadas para a ativação ansiosa.

Essa diferença pode estar relacionada à própria dificuldade de separar ansiedade e depressão. As duas condições frequentemente coexistem e compartilham sintomas.

Alguns instrumentos tradicionalmente utilizados para avaliar depressão também incorporam características relacionadas à ansiedade e ao sofrimento emocional geral. Assim, associações anteriormente atribuídas à depressão podem, em alguns casos, refletir parcialmente a presença simultânea de sintomas ansiosos.

Os próprios pesquisadores observaram algo semelhante ao utilizar uma escala tradicional de depressão em uma análise complementar. As associações entre sintomas depressivos e alterações nos biomarcadores apareceram novamente.

Quando os sintomas foram separados em dimensões mais específicas, a ativação ansiosa apresentou relações mais consistentes com vários desses indicadores fisiológicos.

Análises exploratórias realizadas ao longo de aproximadamente dez anos também indicaram associações bidirecionais entre a ativação ansiosa e alterações no ritmo diário do cortisol e na variabilidade da frequência cardíaca.

Esses resultados sugerem uma relação complexa entre sintomas psicológicos e regulação fisiológica, embora ainda precisem ser confirmados por outros estudos.

Os achados não significam que exames de cortisol, marcadores inflamatórios ou variabilidade da frequência cardíaca possam diagnosticar ansiedade. Esses parâmetros são influenciados por diversos fatores e não são específicos de transtornos mentais.

O estudo mostra a importância de considerar a heterogeneidade da ansiedade e da depressão nas pesquisas sobre saúde mental. Analisar sintomas mais específicos, em vez de agrupá-los apenas em grandes categorias diagnósticas, pode ajudar a compreender por que os estudos encontram respostas fisiológicas tão diferentes e quais características estão mais relacionadas às alterações observadas no organismo.

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