A Copa América e a paixão nacional

Quando que o futebol passou a fazer parte da política? Já se fez essa pergunta, caro leitor?

A paixão nacional virou política

A paixão nacional virou política

REUTERS/Diego Vara

Hoje eu vim aqui falar de futebol. Da batalha épica, do drible, da rasteira, do chapéu, dos passes milionários (ou repasses), da paixão nacional. Aliás, essa expressão "paixão nacional" eu lembro de ter visto na TV. Só que a estrela no caso era loira, gelada e ficava parada em cima da mesa...

Não sei quem inventou a relação da cana com a bola, mas sei que quando uma passou a depender da outra, nem Imperador teve carreira longa nesse jogo.

Mas hoje eu vim aqui falar mesmo é de futebol. Não da disputa no campão gramado onde a bola rola lisa e serena, o gol é a meta e as regras são rígidas, sob pena de ter a querida mamãe na boca do povo. Não! Eu vim falar da batalha extracampo. Onde o campo é bem restrito, não se fala em gol, as regras são obscuras e quase ninguém tem uma mãe querida...

Essa semana a paixão nacional virou política. Mas quando que o futebol passou a fazer parte da política? Já se fez essa pergunta, caro leitor? Eu lhe digo: Desde que o juiz apitou o início da primeira partida. Sim, infelizmente o futebol sempre foi político no Brasil. Não é a toa que toda seleção campeã do mundo é recebida em Brasília depois da Copa. É uma pena que os jogadores do nosso Voleibol não tenham subido a rampa do Planalto tantas vezes. E olha que não foi por falta de conquistas! Ganharam 3 Copas do Mundo e 9 vezes a Liga Mundial. Nada como a audiência do futebol! E quando se perde esse público, sai de baixo!

Essa semana, a Copa América mudou de mãos, sabia? Vai passar na concorrência. Que drible hein?! Foi o suficiente para transformar o futebol em palanque. Até quem sempre ganhou a vida falando bem da competição esqueceu o fair play e fez campanha contra.

Jogadores com discurso político? Teve sim. Patrocinador que cobra juros milionários no cartão de crédito dando rasteira na nova emissora e surfando na onda do politicamente correto... Teve também.

Realmente, não faz sentido nenhum um evento esportivo assim no meio de uma pandemia. Mas e a Libertadores? A Copa do Brasil? O Brasileirão? Ah! Deixa pra lá... Não trazem tanto público né? Eu finjo que acredito.

Lembrei do finado seu Luiz, meu pai, que dizia: "Não tem mais bobo no futebol".

Bobo sou eu que ainda penso: "pra frente Brasil, salve a seleção!" É uma visão romântica, mas há de convir que o futebol brasileiro precisa de salvação, afinal, faz tempo que a gente não ganha uma Copa do Mundo...

Como apaixonado pelo futebol, torço para voltar a dizer que "a taça do mundo é nossa". E dinheiro para isso não falta né?! Nunca se pagou tão bem nesse esporte. Mas confesso que gostava de quando a parte financeira não tinha tanta influência no futebol. Eram apenas "90 milhões em ação".

Sexta que vem eu volto. A gente se vê!

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