Espanha é bi e consagra sua escola de futebol
Os espanhóis foram teimosos ou convictos? Ganharam a Copa do Mundo sem abrir mão de sua ideia de jogo diante de uma Argentina sofrível
Espaço Prisma|Maurício Noriega, especial para o R7*
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Dizem que espanhol é teimoso, birrento. Pois a Espanha borda a segunda estrela de campeã mundial em sua camisa, sem abrir mão de suas ideias de jogo, de seu conceito de posse de bola e controle. Também dizem que a linha que separa a teimosia da convicção é tênue. A Espanha banca essa tese com orgulho e festeja.
Foi certamente uma das finais mais chatas da história das Copas do Mundo. Por culpa da Argentina, que simplesmente se recusou a jogar. Ou não teria conseguido por causa da imposição do estilo da Espanha?
O que não se discute é que os espanhóis são os atuais donos da bola. Campeões mundiais, olímpicos, europeus, e as espanholas também são campeãs mundiais.
Não é exagero falar em escola espanhola de futebol. Num papo com o Cléber Machado, ele me contou que o grande Armando Nogueira dizia que só havia duas escolas no futebol mundial: a brasileira e a argentina. Ouso discordar do Mestre. O futebol tinha muitas escolas além dessas duas (papo para outro texto) e agora tem a espanhola.
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O que é a escola espanhola? Um futebol de troca de passes, de controle do jogo e que faz da posse de bola sua estratégia de defesa na maior parte do tempo. Um dos pilares dessa tese é impedir que o adversário ataque sua defesa, fazendo com que ele não tenha a bola. Como atacar sem a bola? Como discutir esse enunciado com uma seleção que sofreu apenas um gol em oito jogos de Copa do Mundo?
Em alguns momentos o jogo espanhol é enfadonho, modorrento. Falta um pouco de fome, de gana artilheira. O gol parece ser um detalhe. Mas é a escola que ganha a segunda Copa no século e faz a festa duas vezes num espaço de 16 anos. Lamine Yamal, o grande talento do time, fez uma Copa discreta, mas é campeão do mundo aos 19 anos. Que futuro o espera!
Para quem gosta das coincidências, quando a Espanha foi bicampeã europeia em 2008, o gol da vitória sobre a Alemanha foi marcado por Fernando Torres. Outro Torres, Ferrán, fez o gol do bi mundial 18 anos depois. O gol da maturidade de uma pátria futebolística que se iguala a Uruguai e França e deixa a Inglaterra com uma conquista solitária no panteão dos campeões mundiais.
A Argentina merece muito respeito. Fez uma Copa de superação, mas é um time que escolheu jogar por um jogador: Messi. Ele é um dos maiores da história, um jogador fascinante, mas que esgotou sua cota de milagres. O respeito que ele emana gerou a pressão final dos argentinos, que chutaram apenas duas bolas ao gol em 120 minutos de jogo. As viradas heroicas foram a marca registrada de um time que chegou à decisão por ser um grupo de qualidade, personalidade e raça.
Isso posto, é hora de refletir sobre o Brasil. A escola de futebol consagrada como Jogo Bonito, que já não encanta. Qual será nosso futuro? Vamos nos reinventar como fez a Espanha, que deixou de ser a Fúria para praticar o futebol do controle total? Teremos a gana da Argentina, que deixa cada gota de sangue e suor dentro de campo a cada jogada?
*Maurício Noriega é comentarista esportivo da RECORD
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