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Noriega: Brasil precisa entender Rodri para ver que o futebol mudou

Espanhol eleito o craque da Copa é o modelo de um jogo que, para nós, parece estranho e distante, mas explica muitos dos problemas da seleção brasileira

Espaço Prisma|Maurício Noriega, especial para o R7

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Rodri na chegada a Madri, após a conquista e o título de melhor jogador da Copa Violeta Santos Moura/Reuters - 20.07.2026

A dificuldade que alguns brasileiros têm para reconhecer os méritos de Rodri, o meio-campista espanhol eleito o melhor jogador da Copa, ajuda a explicar um pouco do isolamento que assola nosso futebol.

Deixo claro que, para mim, o melhor da Copa foi Messi, não Rodri. Mas o espanhol é um tremendo jogador de um futebol que mudou e que talvez não saibamos entender.


Rodri é o pilar da seleção espanhola. O time só funciona por causa dele. De nada adianta construir um prédio alto e belíssimo se a fundação não sustenta. Pois Rodri é a fundação da Espanha bicampeã do mundo. Ele faz com que a engrenagem funcione. Porque a lógica da equipe de Luís de La Fuente é coletiva. A Espanha é um time que joga para o time, não para um ou dois jogadores.

Rodri é o que se chama hoje de ritmista. Mais que isso, é o termômetro da equipe. Ele mede a intensidade e os rumos da partida e faz com que o time se adapte. Praticamente todas as bolas passam por seus pés. Como não é um jogador exuberante, de dribles e gols, muitas vezes parece que não fez nada no jogo. Mas fez — e muito.


Segundo os dados da plataforma de análises estatísticas Opta, Rodri deu 122 passes de quebrar linhas, que, pela nomenclatura atual do futebol, são os passes que desmontam ou ajudam a desmontar o posicionamento do adversário. São esses passes que dão início às jogadas agudas.

Outro dado impressionante sobre Rodri é a efetividade dos passes. Ele tentou 705 na Copa e acertou 655, aproveitamento de 93%. O gráfico dos passes mostra que eles acontecem majoritariamente de uma meia-lua a outra do campo, preenchendo quase todo o campo de jogo.


Muitos amigos e colegas afirmam não entender tanto barulho por causa de Rodri. São opiniões de respeito, de jornalistas com experiência e conhecimento sobre futebol. Talvez seja porque nós, brasileiros, estejamos acostumados a outro tipo de protagonismo. Aquele do brilho individual, da arrancada, do drible, do deixa que eu resolvo. Nossos craques do passado eram jogadores exuberantes, protagonizavam lances plásticos e inesquecíveis.

Rodri é outro tipo de jogador, de um outro tipo de jogo. É o batimento cardíaco da equipe. Sempre que recebe um prêmio individual gera estranheza. Porque Rodri é um jogador que não se destaca pelas individualidades. Ele é o coletivo personificado em um atleta. Um facilitador de jogadas e de jogos.


Dois amigos que sabem muito de futebol argumentam que Rodri não faz um passe decisivo, não dá um carrinho, não faz um lançamento. Ele não precisa, embora também faça. Sua abordagem do jogo é outra. De nada adianta um carro com motor potente sem gasolina. A visão de futebol do brasileiro ainda está muito presa ao bloco do “eu sozinho”. Somos mal acostumados. Tivemos Garrincha, Romário, os Ronaldos. Nem falo de Pelé, porque é covardia.

Brasileiro fosse, Rodri talvez não atuasse pela seleção e fosse ironizado pela maioria de nós como um jogador comum. Tudo tem a ver com pontos de vista e com abordagens do jogo e do estilo de cada equipe. Mesmo sem a habilidade de Lamine Yamal, Rodri é a peça que explica a Espanha e um conceito de futebol que nós, brasileiros, ainda não entendemos e, por isso, não aprendemos a admirar.

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