Cheias no RS: Guaíba deve ficar na cota de alerta, sem transbordar, prevê boletim
Rios dos Sinos e Gravataí ainda sobem e mantêm municípios da Grande Porto Alegre em atenção
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O Rio Grande do Sul vive, mais uma vez, o compasso de espera que já virou rotina em anos de El Niño. Nas últimas 24 horas, nenhuma chuva significativa caiu sobre as bacias que alimentam o Guaíba. Mas a água que já tinha caído nos dias anteriores segue seu curso, e é ela que decide o que acontece agora.
No Rio Taquari, no Caí e no trecho baixo do Jacuí, o pior já passou. Os níveis mostram tendência de recessão, de acordo com o boletim desta sexta-feira (31) divulgado pelo Sistema de Alerta Hidrológico da Bacia do Guaíba (SAH Guaíba) com informações do Serviço Geológico do Brasil (SGB) em conjunto com o Grupo de Pesquisas de Hidrologia de Grande Escala do Instituto de Pesquisas Hidráulicas (HGE-IPH) da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).
É o alívio que chega primeiro para quem mora nos vales.
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Já nos rios dos Sinos e Gravataí, o cenário é o oposto. As águas seguem em lenta elevação, e é justamente ali que a previsão erra mais. Os modelos para essas duas bacias ainda carregam incerteza maior, e os números podem mudar conforme novas observações entrarem no sistema.
No Alto Jacuí, a água também continua subindo, o que ajuda a manter elevada a vazão que chega ao trecho inferior do rio. É esse contingente extra que sustenta os níveis do Delta do Jacuí e do próprio Guaíba, mesmo sem chuva nova na região metropolitana.
O resultado dessa soma de fatores: os níveis no Delta do Jacuí e no Guaíba devem atingir o pico a partir desta sexta-feira. E o dado que importa para quem mora na capital é este: a estabilização esperada no Cais Mauá é em torno da cota de alerta, patamar que fica abaixo da cota de inundação. Depois do pico, a tendência é de declínio gradual.
Vale reforçar que não é possível cravar valores exatos, já que a modelagem hidrológica depende da meteorológica, e os modelos climáticos usados como base ainda divergem bastante entre si.
Esse é o tipo de aviso que soa técnico, mas carrega um recado direto: quem mora perto do Guaíba ou dos rios afluentes pode respirar um pouco mais aliviado com a notícia de que a inundação não é o cenário esperado, mas não deve tratar a estabilização como sinal de que o risco já passou por completo, sobretudo nas bacias do Sinos e do Gravataí.
A cheia atual se soma a um mês de julho de chuvas muito acima da média em boa parte do estado, puxadas pelo El Niño, que já havia gerado transbordamentos em outras semanas do mês. Ainda assim, o quadro deste ano não tem a mesma proporção da tragédia de maio de 2024.
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