Feira do Livro de Porto Alegre abre na sexta (30) com a primeira patrona negra em 72 edições
Evento vai até 15 de novembro na Praça da Alfândega, com 80 bancas, 750 sessões de autógrafos e programação gratuita
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Porto Alegre tem compromisso marcado para esta sexta-feira (30). Às 17h, o sino toca no Teatro Petrobras Carlos Urbim e a Praça da Alfândega volta a ser, por 17 dias, a maior estante do Rio Grande do Sul.
É a 72ª Feira do Livro. A organização espera mais de 1,5 milhão de visitantes até 15 de novembro. As bancas abrem todos os dias, das 10h às 20h.
A programação completa você confere no site da feira.
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Serão 80 bancas de editoras e livrarias, 750 sessões de autógrafos e 250 oficinas e painéis, segundo a Prefeitura de Porto Alegre. A programação cultural é gratuita.
Mas o principal marco histórico desta edição está na escolha da patrona.
Heloisa Pires Lima nasceu em Porto Alegre em 1955, poucas semanas depois da primeira Feira do Livro. Aos nove anos, mudou-se com a família para São Paulo, onde vive até hoje. Volta agora à cidade natal como patrona de um evento praticamente da mesma idade que ela.
Escritora, antropóloga e educadora, tem cerca de 30 livros publicados, muitos deles voltados a crianças e jovens. É a primeira mulher negra a ocupar o posto. Antes dela, apenas uma pessoa negra havia sido patrono da feira: o escritor Jeferson Tenório, em 2020.

Um dos livros mais conhecidos de Heloisa, Histórias da Preta, de 1998, aborda a construção da identidade de uma menina negra e a experiência do racismo no Brasil. A representatividade negra na literatura, especialmente entre crianças e jovens, é uma das marcas do trabalho da escritora.
A mudança também chega à organização. Pela primeira vez, a Câmara Rio-Grandense do Livro, que realiza a feira, é presidida por uma mulher, Roseni Siqueira Kohlmann.
O tema deste ano é “Essência que faz histórias”. A lista de convidados ajuda a contar algumas delas. Estão confirmados Aline Bei, Elisa Lucinda, Nei Lopes, Eliane Potiguara, Bianca Santana, Milly Lacombe, Marcelino Freire, Cidinha da Silva e o próprio Jeferson Tenório. De fora do país vêm a francesa Neige Sinno, a artista afegã-alemã Moshtari Hilal e o português Afonso Cruz.
A feira também quer conversar com quem está começando a ler. A programação infantojuvenil terá atividades de anime, cosplay e literatura indígena. No sábado (31), a partir das 14h, o Encontro de Influenciadores Literários e Leitores chega à nona edição, com 300 senhas distribuídas a partir do meio-dia, por ordem de chegada.
Para quem gosta de música, a Banda Municipal se apresenta na terça-feira, 10 de novembro, às 18h, no mesmo teatro da abertura.
E o céu de primavera gaúcha foi levado em conta. A estrutura, que ocupa 8 mil metros quadrados, recebeu proteção reforçada contra chuva e vento.
Em 2024, seis meses depois da enchente, a feira voltou à praça para a 70ª edição. No ano passado, foram vendidos mais de 245 mil livros.
Agora é a vez da 72ª. O sino toca na sexta. O resto fica por conta de quem passar pela praça.
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