Porto Alegre já capturou 575 escorpiões-amarelos em 2026, mais do que em todo o ano passado
Quase todos estavam no Centro Histórico. Nesta terça (20), equipes fazem caçada noturna na Praça da Alfândega antes da Feira do Livro

Porto Alegre já capturou 575 escorpiões-amarelos em 2026; em todo o ano passado foram 539
Quase todos estavam no Centro Histórico. Na Região Metropolitana, Esteio prepara nova aplicação de veneno contra o bicho em novembro
Ainda faltam dois meses e meio para o ano acabar, e Porto Alegre já passou o total de 2025 em capturas de escorpião-amarelo. Segundo a Secretaria Municipal da Saúde, 575 animais foram recolhidos na cidade em 2026. No ano passado inteiro, foram 539.
O mapa é concentrado. Dos 575, 565 saíram do Centro Histórico, mais de 98% do total. Outros nove foram capturados no Cristal e um no Passo da Areia.
O Cristal é novidade. Os primeiros registros do animal no bairro apareceram no início deste ano.
A alta veio cedo. Até o fim de fevereiro, a Vigilância Ambiental já somava 82 capturas, contra 42 no mesmo período de 2025.
Caçada antes da Feira
Nesta terça-feira (20), a partir das 19h, agentes vão abrir caixas de telefonia no entorno da Praça da Alfândega. O objetivo é reduzir a população do bicho antes da Feira do Livro, que ocupa a praça de 30 de outubro a 15 de novembro.
A prefeitura diz que faz capturas noturnas no Centro pelo menos uma vez por mês. É à noite que o escorpião mais se movimenta.
Picadas e nova espécie
A cidade registrou três acidentes neste ano: dois no Centro Histórico e um no Mário Quintana. Em 2025, foram seis, sem mortes.
Também apareceu um escorpião-amarelo-do-nordeste no Anchieta. A espécie foi confirmada pela primeira vez em Porto Alegre em julho de 2025, e a vigilância considera o veneno tão perigoso quanto o do escorpião-amarelo comum.
Crianças e pessoas com mais de 60 anos são as mais vulneráveis. Em caso de picada, a orientação é seguir rápido para o HPS ou para o Hospital Cristo Redentor, que têm o soro antiescorpiônico. Até meados de 2025, só o HPS oferecia o tratamento na cidade.
Esteio aposta no veneno
A 20 quilômetros da capital gaúcha, Esteio escolheu outro caminho. Entre 3 e 6 de novembro, a Vigilância em Saúde do município vai aplicar inseticida nas ruas Parobé e Lageado, no Centro, onde vivem cerca de 40 famílias. O produto será usado nos pátios, nas calçadas e na rede pluvial.
Na quinta-feira (15), técnicos passaram de casa em casa explicando o que fazer. Os moradores precisam sair durante a aplicação e só voltar quatro horas depois. Também devem tapar ralos, recolher os animais de estimação, limpar os terrenos e cortar a grama. Nos dias 3 e 4, a Secretaria de Obras recolhe o entulho em frente às casas.
É a segunda rodada. Em março, a prefeitura já tinha aplicado inseticida nas galerias de drenagem das mesmas ruas. A ação faz parte de um estudo com o Instituto Vital Brazil, ligado ao Ministério da Saúde, e conta com apoio da Secretaria da Saúde de São Paulo. A avaliação inicial não apontou intoxicação de moradores nem fuga de escorpiões para outras áreas. O plano inclui ainda medidas na Emeb Tomé de Souza, escola que fica na região.
Morador fixo
A operação antes da Feira faz sentido. Mas o escorpião não está de passagem na Capital. Ele vive no Centro o ano inteiro, em caixas de telefonia, bueiros e tampas de esgoto, perto das baratas que são seu principal alimento.
O primeiro registro de visualização do animal em Porto Alegre é de 2001, segundo a prefeitura. Vinte e cinco anos depois, o endereço continua o mesmo, e o número só cresce.
Parte da alta pode refletir uma vigilância mais ativa, o que é mérito. Mas captura mensal trata o sintoma. Esteio, com uma infestação bem menor, decidiu atacar o abrigo: rede pluvial, entulho, terreno sujo e escola no mesmo plano. Porto Alegre tem 565 motivos neste ano para olhar o exemplo do vizinho.
Serviço
Em Porto Alegre, ao ver um escorpião, avise a prefeitura pelo 156 ou ligue para a Vigilância em Saúde: (51) 3289-2492 ou (51) 3289-2428.
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