Prêmio Fundação Bunge destaca ciência voltada ao campo e à agricultura familiar
Iniciativa valoriza pesquisas que ajudam a levar tecnologia até o produtor rural

A ciência voltada ao campo e à agricultura familiar está no centro da nova edição do Prêmio Fundação Bunge, que há mais de 70 anos reconhece pesquisadores brasileiros.
Inspirado no modelo do Nobel, o prêmio destaca cientistas que contribuem para o avanço da ciência no país e para a aplicação do conhecimento em áreas estratégicas como o agronegócio e a segurança alimentar.
O prêmio tem duas categorias: “Vida e Obra”, para trajetórias consolidadas na ciência brasileira, e “Juventude”, voltada a pesquisadores com até 35 anos. Ao todo, serão quatro premiados, dois em cada categoria.
Os vencedores recebem R$ 200 mil (Vida e Obra) e R$ 80 mil (Juventude). A cerimônia de entrega será em setembro, em São Paulo.
As indicações podem ser feitas até 31 de maio por universidades e instituições científicas de todo o país no site Fundação Bunge | Prêmio Fundação Bunge
O Mundo Agro conversou com a diretora-executiva da Fundação Bunge, Cláudia Buzzette Calais.
Mundo Agro: Que tipo de trajetória ou impacto o prêmio busca valorizar nos pesquisadores indicados?
Cláudia Calais: O Prêmio Fundação Bunge, há mais de 70 anos, celebra trajetórias que unem excelência científica, capacidade de inovação e impacto real para o desenvolvimento do Brasil. Na edição de 2026, nosso foco está direcionado a duas temáticas extremamente atuais: “Os desafios da agricultura tropical sustentável: produção em cenários de estresses térmico e hídrico” e “Inovação em processos de transferência de tecnologias e conhecimentos para Agricultura Familiar”.
Buscamos reconhecer pesquisadores que desenvolvam soluções para otimizar sistemas de produção em zonas tropicais com sustentabilidade ambiental, econômica e social, e que criem metodologias inovadoras para levar ciência ao campo, promovendo o aumento da produtividade, a segurança alimentar e a melhoria da qualidade de vida na agricultura familiar.
Nosso objetivo é dar visibilidade à ciência brasileira que gera soluções aplicáveis, fortalece um setor estratégico para o país e contribui significativamente para o avanço do conhecimento.
Mundo Agro: Por que é importante que universidades e instituições científicas liderem as indicações?
Cláudia Calais: As universidades, institutos de pesquisa, agências de fomento e outras organizações ligadas à ciência são o berço da produção e validação do conhecimento científico no Brasil. Ao liderarem as indicações, essas instituições atestam a credibilidade, a excelência técnica e o reconhecimento entre pares dos pesquisadores, valores intrínsecos ao Prêmio Fundação Bunge.
Este processo é fundamental, pois garante que as candidaturas sejam avaliadas por quem mais conhece a profundidade e a relevância do trabalho científico para a sociedade. Além disso, a comissão avaliadora do Prêmio também é composta por membros das principais entidades científicas do país, reforçando o rigor e a legitimidade da escolha dos laureados.
Mundo Agro: Como o reconhecimento pode influenciar a carreira e a visibilidade dos pesquisadores?
Cláudia Calais: O Prêmio Fundação Bunge foi criado com objetivo de reconhecer talentos da ciência no Brasil e estimular jovens pesquisadores. Para isso, procuramos sempre escolher temas atuais e relevantes para a sociedade, fomentando o debate público em torno das temáticas. Assim, tentamos traduzir para a sociedade a importância do que é produzido nas universidades e institutos de pesquisa e dar visibilidade aos pesquisadores, que são os protagonistas de todo o processo.
Na categoria “Vida e Obra”, o reconhecimento valoriza trajetórias profissionais consolidadas e de destaque na ciência brasileira, o que contribui para ampliar a visibilidade das pesquisas junto aos pares, ao setor produtivo e à sociedade, dando destaque aos impactos que geram nas vidas das pessoas.
Na categoria “Juventude”, o foco é sempre estimular jovens cientistas de até 35 anos a prosseguirem no caminho acadêmico, proporcionando visibilidade em um estágio inicial da carreira, o que pode abrir portas para novas parcerias, atrair investimentos para suas linhas de pesquisa e fortalecer a credibilidade para futuras captações de recursos.
Mundo Agro: Qual é o perfil esperado dos candidatos nas categorias “Vida e Obra” e “Juventude”?
Cláudia Calais: Nossa expectativa é sempre, a cada ano, ter representada nesta edição toda a diversidade étnica, cultural, de gênero e regional do Brasil. Nos últimos anos, temos acompanhado uma maior descentralização das indicações do eixo Rio – São Paulo, muito reflexo da criação de universidades públicas em outras regiões. Além disso, as duas categorias do Prêmio Fundação Bunge permitem contemplar diferentes perfis de pesquisadores.
Na categoria Vida e Obra, homenageamos pesquisadores que são referências consolidadas, com um legado de contribuições relevantes e pioneiras para o desenvolvimento científico nacional. Suas trajetórias representam a solidez da experiência e o impacto duradouro do conhecimento.
Já na categoria Juventude, com idade limite de 35 anos, buscamos talentos emergentes que se destacam pela criatividade, pela vontade de inovar e pelo potencial transformador de suas pesquisas para o futuro. Assim, o Prêmio Fundação Bunge busca unir a sabedoria da experiência ao dinamismo das novas gerações de cientistas brasileiros.
Mundo Agro: Para você, o prêmio em uma palavra é?
Cláudia Calais: Reconhecimento. Reconhecemos o valor inestimável da ciência brasileira e o empenho de pesquisadores que, com suas trajetórias e descobertas, impactam positivamente o país. É o reconhecimento que valida anos de dedicação, fomenta a inovação e projeta os talentos que estão construindo um futuro mais sustentável e equitativo para todos.
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