Ordem de André Mendonça para afastar Andrei Rodrigues causa indignação e revolta na PF
Segundo fontes do alto escalão da PF, a cúpula da entidade considera a decisão de Mendonça como política
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Sentimento de indignação e revolta. É assim que a cúpula da PF )Polícia Federal) encara a decisão de André Mendonça, ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), de afastar Andrei Rodrigues do cargo de diretor-geral da polícia.
A decisão, tomada a partir do pedido do partido Novo, ocorre em meio à crise institucional no Supremo e à desconfiança sobre a atuação de Rodrigues nas investigações do caso do Banco Master.
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Leandro Almada, diretor de inteligência policial da PF, também foi afastado do cargo pela produção de documento apócrifo sobre atuação de ministros do Supremo.
Segundo fontes do alto escalão da PF, a cúpula da entidade considera a decisão de Mendonça como política. O ministro foi indicado ao STF pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, que hoje cumpre prisão domiciliar pelo envolvimento em uma tentativa de golpe de Estado.
Andrei Rodrigues ainda não foi notificado sobre a decisão de Mendonça. Assim que a notificação chegar, ele vai passar o cargo para William Murad, diretor-executivo da PF.
Na manhã desta terça-feira (8), ele chegava à Academia Nacional de Polícia Federal, em Brasília, para participar da cerimônia de abertura do curso de formação de novos agentes, quando foi informado sobre a decisão.
Rodrigues permaneceu, por cerca de 40 minutos, reunido com outros diretores e auxiliares em uma sala reservada da Academia, deliberando sobre os próximos passos.
Murad acabou discursando na cerimônia de formação de novos agentes. Sem citar diretamente o afastamento, ele reafirmou a confiança da corporação no diretor-geral Andrei Rodrigues.
Entenda o caso
Na decisão, Mendonça justifica o afastamento “pela superlativa gravidade e ilicitude na produção de ‘relatórios de inteligência’ pela Polícia Federal”. Os documentos citados pelo relator foram usados pelo ministro Alexandre de Moraes para pedir investigação contra Mendonça e, segundo a PF, não possuem valor probatório.
Segundo Mendonça, ele próprio foi monitorado pela inteligência da Polícia Federal por mais de 30 dias, assim como o advogado-geral da União, Jorge Messias. Ainda de acordo com o ministro, relatórios produzidos entre 3 e 31 de agosto mostram que os dois foram alvo de um acompanhamento sistemático e de uma “coleta dirigida” de informações.
A decisão de Mendonça pelo afastamento de Rodrigues do comando da PF foi enviada para a análise da Segunda Turma do STF, que já formou maioria para manter a decisão do ministro.
O julgamento foi interrompido após o ministro Gilmar Mendes pedir vista, mas a medida de Mendonça já conta com votos suficientes para ser mantida pelo colegiado. Os ministros Luiz Fux e Nunes Marques anteciparam os votos, acompanhando o entendimento de Mendonça.
O pedido de vista de Gilmar não impede o cumprimento da decisão liminar de Mendonça. Gilmar tem até 90 dias para devolver o caso para julgamento.
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