Atendimento a pacientes com lúpus no SUS triplicou em dez anos e chega a 50 milhões
Internações também aumentaram no sistema público brasileiro, segundo dados levantados pelo R7 Planalto com a Saúde
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Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

O número de atendimentos ambulatoriais de pacientes com lúpus no SUS (Sistema Único de Saúde) triplicou em dez anos e chegou em 2025 a 50,8 milhões. Ao todo, em 2017, o sistema público brasileiro tinha notificado 14,7 milhões de atendimentos do tipo. As internações também cresceram no período: de 3.104 para 5.125 (65,1%), segundo dados levantados pelo R7 Planalto com o Ministério da Saúde. A quantidade, contudo, não revela o total de pacientes, já que uma mesma pessoa pode ter passado por mais de um atendimento e mais de uma internação.
Na avaliação do Ministério da Saúde, os dados “refletem a assistência integral que o SUS oferece às pessoas com lúpus, especialmente ao Lúpus Eritematoso Sistêmico, incluindo exames laboratoriais, exames de imagem, acompanhamento multiprofissional e tratamento medicamentoso, conforme indicação clínica”.
“Entre os exames disponibilizados pelo SUS estão hemograma, exames bioquímicos, urina tipo I, exames imunológicos como FAN, Anti-DNA, Anti-Sm e dosagem de complemento, além de exames de imagem”, informa.
Apesar disso, a doença autoimune crônica ainda enfrenta uma lacuna de informações oficiais sobre a condição, na avaliação da Sociedade Brasileira de Reumatologia. O lúpus figura entre as 20 principais causas de morte em mulheres de 5 a 60 anos. As mulheres representam a esmagadora maioria dos casos, com uma proporção de até 10 mulheres para cada homem.
Neste Maio Roxo, mês de sensibilização da doença, a ANPLúpus (Associação Nacional Lúpus de Desenvolvimento Humano e Integração Social) alerta que a invisibilidade estatística dificulta o estabelecimento de políticas públicas assertivas.
“A busca por dados e reconhecimento jurídico é uma novela que se arrasta no parlamento. Após 11 anos de tramitação, o Congresso Nacional chegou a aprovar uma proposta de amparo e mapeamento nacional, totalmente vetada pela Presidência da República em 2022. Diante do revés, o movimento articulou a reapresentação do texto, que agora tramita sob o PL n.º 2.472/2022 para tentar reverter o abandono legal”, diz a associação.
Para Djane Bento, presidente da associação, falar da doença “é falar de saúde pública e dignidade”. “Sem estatísticas governamentais precisas e atualizadas, quem convive com a doença continua invisível para o Estado”, pontua. Os esforços da associação são também avançar com o PL nº 1.456/2023, focado em equiparar o lúpus às deficiências para proteção social.
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Dificuldades para o diagnóstico
A jornada clínica, segundo a associação, é marcada por obstáculos: levantamentos globais conduzidos pela World Lupus Federation e pela Lupus Foundation of America apontam que os pacientes enfrentam, no mínimo, quatro anos de peregrinação médica antes de obter um diagnóstico correto.
Agora, na próxima sexta-feira (29), a ANPLúpus, em parceria com a Sociedade de Reumatologia de Brasília, vai promover um simpósio no ParlaMundi da LBV. O evento gratuito disponibilizará orientações práticas para pacientes e familiares.
Diante das dificuldades de quem convive com a doença, profissionais de saúde e advogados vão ensinar os pacientes a navegar pela burocracia do SUS para garantir acesso a tratamentos e minimizar complicações, como a nefrite lúpica.
Hoje, cerca de 155 mil brasileiros convivem com a doença.
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