De pai para filha: o trabalho de sucessão em cooperativa de uvas no Vale do São Francisco
Pernambuco é lar de 123 cooperativas e mais de 190 mil cooperados; Coopexvale é um dos empreendimentos de destaque
R7 Planalto|Edis Henrique Peres, enviado especial a Petrolina (PE)
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Pernambuco é o lar de 123 cooperativas e conta com mais de 190 mil cooperados em todo o estado. No meio do Vale do São Francisco, um dos empreendimentos que se destacam é a Coopexvale, que produz 10 variedades de uva de mesa, aquelas destinadas ao consumo, com 640 hectares de produção. Além da alta produtividade, no entanto, um trabalho feito pelos associados é o de sucessão familiar: uma estratégia para passar de pai para filhos os empreendimentos.
Quem lidera o Comitê de Organização do Quadro Social é Gabriela Olinda, 32 anos, que estrutura as ações com os jovens e filhos dos cooperados. Ela também entrou no ramo por influência do pai. Gabriela detalha que o desafio é saber conciliar a tradição das famílias com a inovação que precisa ocorrer no campo. “Você não pode chegar com tudo querendo mudar como as coisas funcionam, é necessário entender os processos”, diz.
Gabriela conta que pensar na sucessão familiar é fundamental. “Temos um trabalho forte de conscientização dos cooperados sobre a participação das novas gerações. Alguém tem que dar continuidade ao trabalho iniciado pelos nossos pais, e os filhos precisam estar inseridos nesse processo”, explica.
Conforme o R7 Planalto mostrou em reportagem no começo do ano, muitas cooperativas encontram no crédito a oportunidade para manter o legado de gerações das famílias.
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O objetivo de ser referência
Até 2030, a Coopexvale quer ser referência na produção e comercialização de uvas no Brasil. A cooperativa começou em 2004, com foco no mercado externo, mas logo percebeu que poderia angariar o comércio de uvas dentro do território nacional. Hoje, 70% da produção abastece o mercado interno, enquanto as exportações seguem o calendário mundial da produção de uvas, concentradas principalmente nos meses em que outros países produtores do hemisfério norte não têm safras do alimento.
A Coopexvale conta hoje com seis túneis de resfriamento, nove câmaras frias, três decks de embarque, laboratório de análise e 1.452 placas solares para geração de energia.
As uvas têm origem em programas de genética da Califórnia, nos Estados Unidos, e também da Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária).
Jailson Lira, diretor e coordenador do comitê de exportação da cooperativa, é o pai que influenciou Gabriela a entrar no cooperativismo e conta que frequentemente equipes da Coopexvale viajam para os Estados Unidos para acompanhar as novidades do setor.
As novas variedades passam por testes de adaptação ao clima do Vale do São Francisco, que busca por sabor e crocância do alimento. “Existe um tabu de que tudo que vai para exportação é melhor. Porém, a gente derrubou isso. Fazemos frutas tão boas para o mercado interno quanto para o externo, temos um alto padrão de qualidade”, conta Jailson.
Ele defende que o cooperativismo é fundamental para dar força aos pequenos produtores, que podem através do modelo concorrer como grandes produtores.
*O jornalista viajou a convite do Sistema OCB (Organização das Cooperativas Brasileiras)
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