Tcheco sobrevive com bombas de sangue no lugar do coração
Paciente vive sem o coração há cinco meses por causa de tumor maligno
Saúde|Do R7
Um bombeiro tcheco, de 37 anos, que vive sem o coração há cinco meses, segue concentrado em sua recuperação e à espera de um transplante que o permita voltar a ter uma vida normal.
— Não me dou conta de não ter coração, porque funciono normalmente, embora não sinta o pulso.
Jakub Halik é a primeira pessoa a sobreviver a uma operação deste tipo. Há cinco meses, Halik teve que retirar o órgão por conta de um tumor maligno. Ele foi operado no Instituto de Medicina Clínica e Experimental de Praga (IKEM).
Nesta quarta-feira (29), Halik passou oficialmente para a lista de espera para um transplante, após longo processo que durou 148 dias e que foi "duro física e psicologicamente".
— Agora me sinto muito bem. É um alívio. A única coisa que fazia desde que descobri a doença era esperar os resultados dos testes, que deviam mostrar se o tumor que tinha no coração não produziu metástase. Agora vejo que todas as análises são positivas e vou me concentrar na minha recuperação.
A possibilidade de metástase, inclusive, era o que freava o transplante, que é contra-indicado em caso de tumor maligno, porque os "remédios para aceitar o órgão estranho apoiam o processo tumoral das células", explicou o cardiologista Jan Pirk, responsável pela cirurgia de Haclik.
Porém, os recentes exames mostraram que não existe rastro do carcinoma espino-celular, que afetou seu coração, em outros órgãos. Halik é o primeiro homem do mundo que sobreviveu a este tipo de intervenção.
A cirurgia consiste em instalar duas bombas HeartMate II para realizar o bombeamento do sangue a todo o corpo, por um lado, e aos pulmões, por outro.
— Minha família foi meu maior apoio.
Halik, que chegou ao local de entrevistas em uma cadeira de rodas, terá que aguardar cerca de oito meses para a realização do transplante.
— Cuidaram muito bem de mim aqui e o pessoal é muito agradável. Não parece que estou tantos dias no hospital.
Halik ainda fez questão de dizer que depois de passar pelo transplante, deseja voltar a trabalhar como bombeiro, embora tenha reconhecido que será difícil sair em missões de socorro. Por outro lado, o cardiologista Pirk disse que há transplantados que "correm uma maratona ou fazem triatlo".
— Para Halik voltar a fazer esforço físico, terá que encontrar um coração forte, forte como ele.
Em abril de 2003, o IKEM iniciou um programa de bombas de apoio para o ventrículo esquerdo, como operação ponte até que se possa realizar a operação de transplante. Atualmente, o centro contra com 24 doentes em lista de espera para receber um apoio mecânico de circulação sanguínea.













