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O que Sergio Moro vai fazer para tentar evitar cassação do mandato de senador

Julgamento das ações que podem levar à cassação da chapa de Moro começa nesta segunda-feira e será transmitido ao vivo

Brasília|Da Agência Estado

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Julgamento começa nesta segunda-feira
Julgamento começa nesta segunda-feira Geraldo Magela/Agência Senado - 12/03/2024

O julgamento das ações que podem levar à cassação do senador Sergio Moro (União Brasil-PR) começa no TRE-PR (Tribunal Regional Eleitoral do Paraná) nesta segunda-feira (1º). O PL e a Federação Brasil da Esperança, composta por PT, PCdoB e PV, autores das ações, argumentam que os gastos durante a pré-campanha presidencial ajudaram o ex-juiz na disputa ao Senado.

No decorrer do processo, o senador negou que o investimento pré-eleitoral quando ele se apresentava como pré-candidato à presidência tenha favorecido a eleição para o Legislativo federal. Para avalizar os gastos, Sergio Moro se baseia em relatório de consultoria jurídica ao seu partido. O ex-juiz argumenta que despesas com sua segurança pessoal não deveriam ser contabilizados como “vantagens competitivas”.

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Confira quais são os argumentos da defesa de Sergio Moro contra a cassação e qual será a estratégia da equipe jurídica do senador.

Relatório do suplente

Sergio Moro nega que seus gastos para concorrer ao Senado tenham excedido os limites legais. O que está em jogo, inclusive com a possibilidade de criar precedente para futuras decisões da Justiça Eleitoral, são os valores gastos durante a pré-campanha, e se esse montante deveria ser contabilizado no total das despesas para a disputa ao Legislativo.

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Para justificar o montante despendido na pré-campanha, Moro baseia sua defesa em relatório jurídico elaborado pelo advogado Luís Felipe Cunha, suplente do ex-juiz no Senado e considerado braço direito dele. Cunha recebeu R$ 1 milhão do União Brasil pelos serviços de consultoria jurídica, conforme informado para a Justiça Eleitoral.

O pagamento foi alvo de perguntas do desembargador Luciano Carrasco Falavinha Souza, relator das ações, durante o depoimento de Moro ao TRE-PR. “Há de convir comigo que pareceres a R$ 1 milhão é um valor alto. Acredito que ex-ministros do Supremo, grandes operadores (do Direito), cobrem isso”, disse Souza na ocasião.

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Moro afirmou que os serviços foram prestados não só para ele, mas também para outros pré-candidatos e ao próprio partido. “Era importante para mim ter, dentre as pessoas que prestavam serviços jurídicos, alguém de confiança”, justificou no depoimento o senador, que negou que o valor tenha se convertido em vantagens na campanha ao Legislativo. “Além do que serviços jurídicos não se traduzem em voto. Isso não me trouxe nenhuma vantagem competitiva”, alegou.

O ex-juiz negou a prática de caixa 2 com o valor pago pelo relatório e afirmou que Cunha foi escolhido para elaborar o estudo e ser o seu suplente porque eles mantêm uma amizade de longa data.

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Gastos não renderam vantagem, diz Moro

Por meio de seus advogados, Sergio Moro argumenta que nem todos os gastos contabilizados nas despesas da pré-campanha renderam a ele vantagem para a disputa ao Legislativo.

PT e PL afirmam que, ao se apresentar como presidenciável em eventos públicos e viagens pelo país, a projeção angariada por Moro o colocou em posição desigual em relação aos seus concorrentes ao Senado pelo Paraná. O ex-juiz questiona quais gastos teriam rendido a ele essa vantagem.

“O que me deixa profundamente ofendido, violado até neste aspecto, é quando as partes alegam que gastos com segurança deveriam ser considerados para a cassação do meu mandato”, disse Sergio Moro, ao deixar a sede do TRE-PR, onde prestou depoimento em 7 de dezembro do ano passado. “Andar de carro blindado e andar com segurança não traz nenhuma vantagem em eleições.”

Dissociação do caso Selma Arruda

A defesa de Moro tenta separar o caso com o precedente de Selma Arruda, a última senadora a perder o mandato por decisão da Justiça Eleitoral. Selma foi apelidada de “Moro de saias” por semelhanças na trajetória política com o ex-juiz da Lava Jato. Ela foi magistrada federal e ingressou na política ao ganhar projeção com processos envolvendo acusados de corrupção.

Um documento atribuído ao advogado Gustavo Guedes, que representa Moro, aponta que os casos do senador do Paraná e de Selma Arruda são distintos. O memorial de Guedes foi entregue a membros do TRE-PR. Segundo o advogado, não houve caixa dois durante a pré-campanha de Moro, o que exclui do ex-juiz a ilicitude praticada pela ex-senadora mato-grossense.

“Em outras palavras, no caso Selma Arruda, o TSE acabou entendendo pela existência de gastos feitos com recursos privados não contabilizados, caixa 2, enquanto nestas duas ações (contra Moro), a instrução demonstrou que só foram feitos gastos pelos partidos políticos, devidamente contabilizados e declarados”, diz o advogado de Sergio Moro.

Guedes foi procurado pela reportagem para detalhar o posicionamento da defesa de Moro, mas não retornou.

Recurso no TSE

Seja qual for o resultado do julgamento do TRE-PR, a tendência é que a parte que se sentir desfavorecida com o veredicto dos magistrados paranaenses recorra ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral).

Não haverá mudança na composição do TSE até o fim deste ano. Em junho, o ministro Alexandre de Moraes deixa a presidência da Corte eleitoral. Quem assume o posto é a ministra Cármen Lúcia, que ocupará o cargo durante as eleições municipais.

Por mais que não haja mudança entre os titulares, uma nova presidência pode alterar o fluxo dos processos que tramitam na Corte. Pessoas com acesso ao TRE-PR ouvidas reservadamente pelo Estadão afirmam que, para a defesa de Sergio Moro, há a avaliação de que o comando de Moraes no TSE endurece mais a situação do senador.

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