Críticas dos EUA ao Pix servem como ‘desculpa’ para aplicar tarifaço, diz Galípolo
Presidente do Banco Central destacou, em coletiva de imprensa, que o sistema de pagamentos é atualmente ‘referência internacional’
Brasília|Mariana Saraiva, do R7, em Brasília

O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou nesta quarta-feira (16) que as críticas feitas pelos Estados Unidos ao Pix são uma “desculpa” para justificar a aplicação de tarifas sobre produtos brasileiros. A declaração foi feita durante coletiva de imprensa no MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços), em que o governo brasileiro apresentou seu posicionamento sobre a investigação aberta pelos EUA com base na Seção 301 da legislação comercial norte-americana.
Segundo Galípolo, os argumentos apresentados pelos norte-americanos não encontram respaldo nos resultados obtidos pelo sistema de pagamentos instantâneos desenvolvido pelo Banco Central.
“Acho que os argumentos contra o Pix configuram o caso mais flagrante de entendimento de que, na verdade, os argumentos são algum tipo de desculpa para você tentar criar algum tipo de lógica, entre muitas aspas, para aplicar uma tarifa”, afirmou.
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O presidente do BC ressaltou que a justificativa norte-americana sobre a aplicação das taxas mudou ao longo do processo. Segundo ele, inicialmente as tarifas foram associadas ao resultado da balança comercial entre os dois países, mas, posteriormente, passaram a incluir críticas ao Pix.
Para ilustrar o que considera uma comparação sem fundamento, Galípolo fez uma analogia com o saneamento básico. “Seria mais ou menos como você tentar dizer que, ao criar o saneamento básico, prejudicou a receita de quem tem caminhão-pipa”, comparou.
Galípolo também rebateu a alegação de que o Pix teria prejudicado empresas de cartões de crédito. Segundo ele, os dados mostram justamente o contrário.
“Uma vez analisado o que aconteceu efetivamente a partir da implementação do Pix, o mercado de cartão de crédito cresceu 150%”, argumentou, citando informação apresentada anteriormente pelo vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin.
De acordo com o presidente do Banco Central, quem perdeu espaço após a implementação do Pix foram os cheques e o dinheiro em espécie, reduzindo custos de transação e ampliando a eficiência do sistema financeiro.
Ele afirmou ainda que o modelo brasileiro é reconhecido internacionalmente e citou manifestações favoráveis do FMI (Fundo Monetário Internacional), do BIS (Banco de Compensações Internacionais) e do economista norte-americano Paul Krugman, vencedor do Prêmio Nobel de Economia, que classificou o Pix como uma possível referência para o futuro do dinheiro.
Galípolo destacou que o Banco Central já firmou acordos de cooperação técnica com mais de 47 bancos centrais para compartilhar a tecnologia do Pix. Segundo ele, países como Estados Unidos, integrantes da União Europeia, China, Índia e Singapura já implementaram ou estudam desenvolver sistemas de pagamento instantâneo semelhantes.
“O Pix é hoje uma referência internacional”, frisou.
Ao final, o presidente do Banco Central reiterou que a instituição continuará oferecendo o sistema de forma gratuita, segura e instantânea, além de manter investimentos em sua evolução tecnológica e na ampliação da inclusão financeira no país.
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