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Dino afasta presidente do Tribunal de Contas do Maranhão por 180 dias

O ponto de partida do inquérito é o assassinato de um empresário, ocorrido em São Luís (MA), em 2022

Brasília|Gabriela Coelho, do R7, em BrasíliaOpens in new window

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Ministro Flávio Dino, do STF, afasta Daniel Brandão da presidência do TCE-MA por 180 dias.
  • Afastamento relacionado a investigações sobre assassinato de empresário em São Luís, em 2022.
  • Daniel Brandão é suspeito de obstruir investigações e envolvimento em esquemas de corrupção.
  • Medidas rigorosas incluem proibição de acesso ao TCE-MA e contato com o governador e outros investigados.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Segundo Dino, um órgão independente de controle externo não pode ser presidido por um investigado Rosinei Coutinho/STF - Arquivo

O ministro Flávio Dino, do STF (Supremo Tribunal Federal), determinou nesta segunda-feira (17) o afastamento cautelar de Daniel Brandão da presidência do TCE (Tribunal de Contas do Estado) do Maranhão, pelo prazo de 180 dias.

O ponto de partida do inquérito é o assassinato de um empresário, ocorrido em São Luís (MA), em 2022. O crime foi praticado durante uma reunião convocada para tratar da divisão de propinas decorrentes de contratos públicos fraudados.

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A decisão surge em meio a suspeitas que ligam o gestor, que é sobrinho do atual governador Carlos Brandão (MDB), a um esquema de obstrução de investigações e possíveis crimes financeiros.

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Segundo Dino, um órgão independente de controle externo não pode ser presidido justamente por uma pessoa que figura no epicentro de investigações sobre um homicídio.

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“Além do mau uso de recursos públicos, cobrança de propinas e pagamentos fraudulentos, em favor de uma rede que envolve diretamente empresas de sua família - das quais é ou foi sócio - órgãos estaduais, gestores e destacadas autoridades políticas”, disse o ministro.

Suspeitas e o caso do assassinato

O afastamento está fundamentado na necessidade de aprofundar as apurações sobre o assassinato do empresário João Bosco Pereira Oliveira Sobrinho, ocorrido em 2022.

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De acordo com a decisão de Dino, há elementos que indicam que Daniel Brandão teria utilizado sua posição como conselheiro do TCE para dificultar a própria identificação na investigação do crime.

A investigação da PF (Polícia Federal) apontou que, após o homicídio, o autor confesso do crime, Gilbson César Soares Cutrim Júnior, teria mantido contato com Daniel Brandão e outros parentes do governador.

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Relatórios da PF sugerem que teriam sido prometidas vantagens, como cargos e auxílio financeiro, para que o silêncio sobre a participação de agentes públicos no contexto do crime fosse mantido.

Além do homicídio, o ministro citou suspeitas sobre o uso de verbas de emendas parlamentares para o pagamento de propinas, além do desvio de valores de contratos públicos por meio de empresas ligadas ao investigado.

Dino estabeleceu medidas rigorosas contra o conselheiro afastado, como a proibição de acesso às dependências e sistemas do TCE-MA, impedimento de participar de eventos oficiais ou utilizar bens e serviços do tribunal e proibição de contato com o governador Carlos Brandão, outros investigados citados na decisão e familiares da vítima.

Divisão

O processo detalha a divisão de tarefas entre políticos, operadores financeiros e agentes das forças policiais:

  • Raimundo Soares Cutrim: apontado como operador central do grupo e interlocutor da chamada “Família Brandão”. Teria atuado diretamente para coagir testemunhas e desarticular as tratativas de colaboração premiada de seu filho, Gilbson Júnior (que seria o executor do homicídio), e da esposa deste, oferecendo vantagens financeiras e desenhando versões fáticas falsas.
  • Daniel Itapary Brandão e Marcus Brandão: mencionados em depoimentos como beneficiários do silêncio do executor. A investigação aponta promessas de favorecimento financeiro e patrimonial para ocultar a participação de agentes públicos no esquema e na morte de João Bosco.
  • Senador Weverton Rocha e Min. Humberto Martins (STJ): a análise de registros telemáticos, chamadas e mensagens revelou interlocução frequente e atípica, com suspeitas de manobras para a transferência de presos e interferência no andamento de processos de interesse da organização.
  • Infiltração na Polícia Federal: o policial federal Edvar Rodrigues dos Santos é investigado por vazar informações de altíssimo teor sigiloso e contatar familiares de investigados com o objetivo explícito de sabotar acordos de delação premiada.
  • Falhas e ingerência na Polícia Civil do Maranhão: apuram-se omissões operacionais intencionais durante a fase inicial das apurações estaduais, como o desaparecimento inexplicado de imagens de câmeras de segurança e a não oitiva de nomes estratégicos citados no caso.
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