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Fraude no INSS: ‘Governo quer pagar vítimas sem judicialização’, diz ministro da AGU

AGU pediu ao Supremo para suspender todos os processos judiciais relacionados à responsabilização da União por descontos indevidos

Brasília|Do R7, em Brasília

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Jorge Messias garante que governo vai pagar vítimas Marcelo Camargo/Agência Brasil - 20.5.2025

O ministro da AGU (Advocacia-Geral da União), Jorge Messias, disse nesta quinta-feira (12) que o governo federal quer pagar as vítimas de fraudes no INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) sem judicialização. Ele fez o comentário ao explicar a ação apresentada pela pasta ao STF (Supremo Tribunal Federal) pedindo a suspensão de todos os processos judiciais relacionados à responsabilização da União e do INSS pelos descontos indevidos feitos na folha de pagamento de aposentados e pensionistas.

Além das ações em curso, também foi solicitado ao STF a perda da eficácia dos processos que já tiveram alguma sentença contra o INSS. Segundo a AGU, a medida é necessária para preservar a capacidade administrativa do instituto de processar os pedidos de restituição.

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De acordo com a AGU, há um “elevado interesse social em agilizar a restituição dos valores indevidamente desviados das contas dos segurados do INSS”. Jorge Messias reafirma o objetivo principal: “O governo quer pagar as vítimas sem judicialização”.

A pasta explicou que o objetivo é evitar um contexto de litigância de massa que poderia prejudicar a segurança orçamentária da União e, no limite, pôr em risco a própria sustentabilidade das políticas de pagamento de benefícios previdenciários.

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Dados do CNJ (Conselho Nacional de Justiça) apontam que mais de 4,1 milhões de ações previdenciárias estão em tramitação no país. Ao mesmo tempo, é estimado que aproximadamente 9 milhões de descontos associativos foram implementados nos benefícios pagos pelo INSS nos últimos cinco anos, o que, segundo a AGU, mostra a possibilidade de aumento no volume de litígios.

‘Interpretações conflitantes’

No documento enviado ao Supremo, a AGU pontua que as decisões nas demais instâncias judiciais têm “apresentado interpretações conflitantes sobre os requisitos, fundamentos e extensão da responsabilidade da União e do INSS por atos fraudulentos de terceiros”.

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A AGU sustenta que o cenário de judicialização descontrolada sinaliza um risco concreto de “colapso do sistema de Justiça” e comprometimento da capacidade operacional do INSS em responder adequadamente às demandas judiciais.

Algumas das decisões, conforme a AGU, têm atribuído ao Estado e ao instituto o pagamento em dobro do valor a ser ressarcido pelos descontos ilegais.

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Porém, segundo a AGU, essa quantia é normalmente usada em processos que tratam de relações de consumo de bens e serviços, o que, conforme a ação, “viola o princípio da legalidade, uma vez que as atividades administrativas em questão não atraem o regime do Código de Defesa do Consumidor”.

Crédito extraordinário

O documento enviado ao STF requer, ainda, a abertura de crédito extraordinário para o governo poder fazer o ressarcimento das vítimas. Esses recursos adicionais ficariam de fora dos limites fiscais dos anos de 2025 e 2026, segundo a solicitação feita ao Supremo.

Segundo o pedido, a Operação “Sem Desconto”, da Polícia Federal, que revelou o esquema de fraudes em aposentadorias e pensões do INSS, foi uma situação imprevisível, justificando a abertura de crédito extraordinário.

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