Polícia conclui depoimento de Bolsonaro sobre arma apreendida em blitz
Oitiva durou cerca de 40 minutos e ocorreu sem o uso de eletrônicos; advogados afirmam que pistola seria levada para conserto
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A PCDF (Polícia Civil do Distrito Federal) concluiu o depoimento do ex-presidente Jair Bolsonaro sobre a arma de fogo dele que foi apreendida com um militar durante uma blitz de trânsito, na semana passada.
A oitiva durou cerca de 40 minutos e foi conduzida pelo delegado Thiago Boeing, da 17ª Delegacia de Polícia, na casa onde Bolsonaro cumpre prisão domiciliar humanitária. O ato ocorreu presencialmente, uma vez que há restrição para uso de celular ou outros equipamentos eletrônicos.
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O caso teve início na segunda-feira da semana passada (15), quando a PMDF (Polícia Militar do Distrito Federal) realizava uma blitz de rotina na região de Taguatinga, no Distrito Federal.
Durante a abordagem a um veículo, os policiais constataram que o condutor, um sargento do Exército que atua na segurança do ex-presidente pelo GSI (Gabinete de Segurança Institucional), portava regularmente sua arma funcional. No entanto, uma segunda pistola foi localizada no interior do automóvel.
Questionado sobre a falta de documentação do segundo armamento, o militar afirmou aos agentes que a pistola pertencia a Bolsonaro. Ele justificou a situação dizendo que o equipamento apresentava uma falha mecânica e havia sido retirado da residência do ex-presidente para ser levado ao conserto.
Diante do flagrante de transporte de arma sem o devido registro em nome do condutor, o sargento foi encaminhado à 21ª Delegacia de Polícia (Taguatinga Sul) para prestar esclarecimentos. Após o depoimento, o militar foi liberado, mas a arma permaneceu apreendida. A Polícia Civil abriu um inquérito para apurar as circunstâncias do caso.
Caso foi parar no STF
Por envolver o ex-presidente, a ocorrência foi anexada aos autos do processo de execução penal de Bolsonaro no STF. O ex-chefe do Executivo cumpre pena de 27 anos e três meses de prisão pelos crimes de tentativa de golpe de Estado, organização criminosa armada e abolição violenta do Estado Democrático de Direito.
Após o episódio, o ministro Alexandre de Moraes cobrou explicações a Bolsonaro. A defesa, então, confirmou que a arma está regularmente registrada no nome dele.
Segundo os advogados, o armamento teve o mecanismo de disparo alterado sem o conhecimento do ex-presidente. Os defensores explicaram que a medida foi adotada em razão de medicações psiquiátricas utilizadas por Bolsonaro, que poderiam afetar sua cognição.
Eles afirmaram que o ex-chefe do Executivo percebeu uma falha no funcionamento do equipamento ao manuseá-lo, mas não conseguiu identificar a causa do problema. Diante da situação, teria entregue o armamento ao militar do GSI, que possui experiência com armas, para verificar o defeito e realizar eventual manutenção.
Sem vistoria
O ministro Alexandre de Moraes também cobrou uma manifestação da Polícia Militar, que é responsável pela segurança dos arredores da casa de Bolsonaro. A corporação respondeu que os veículos utilizados por agentes do GSI não passam por vistoria quando estão na residência do ex-presidente porque não adentram o perímetro interno do imóvel.
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