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Presidente da GM pede desculpas após acidentes fatais

Mary Barra depôs em CPI nos EUA por falhas graves em vários carros ignoradas por uma década

Carros|Do R7

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Mary Barra falou ontem no Congresso dos EUA diante de vítimas
Mary Barra falou ontem no Congresso dos EUA diante de vítimas

A presidente da General Motors, Mary Barra, se desculpou nesta terça-feira (1º) pelos erros da montadora relacionados a diversos problemas mecânicos em veículos, que causaram 13 acidentes fatais, e garantiu ao Congresso norte-americano que a empresa "fará o que for correto".

A GM é investigada pelo departamento de Justiça, da Agência de Segurança nas Estradas (NHTSA) e do Congresso.


O último recall da montadora, anunciado na segunda (31), envolve 1,5 milhão de veículos no mundo todo, devido a um problema na direção hidráulica.

No total, a GM chamou para revisão 6 milhões de veículos desde o início de 2014, incluindo alguns em dois recalls diferentes.


O problema mais grave envolve os airbags dos modelos Cobalt, Pontiac 5, Saturn Ion, Sky e Solstice montados entre 2003 e 2011, totalizando 2,6 milhões de veículos e associado a diversas mortes.

O caso é agravado pela reação tardia da GM, que conhecia o problema desde 2001.


Barra destacou que a montadora realiza uma ampla investigação para determinar responsabilidades e que aplica mudanças profundas contra uma cultura focada no "custo" da segurança e da qualidade.

Diante de uma comissão do Comitê de Energia e Comércio da Câmara de Representantes, em Washington, Mary garantiu que "a GM de hoje fara o que for correto".


— Isto começa com minhas sinceras desculpas a cada um que tenha sido afetado por este recall. Estou muito aflita.

Segundo os legisladores, documentos internos revelam que a GM decidiu — a princípio — não substituir as peças com defeito porque a operação teria um alto custo, o que Barra afirmou "não ser algo aceitável".

Parentes das vítimas dos acidentes realizaram uma manifestação diante do prédio do Congresso, onde exibiram fotos dos entes queridos mortos e exigiram que a GM seja responsabilizada. Uma delas, Laura Christian, perdeu a filha Amber Marie Rose, 16 anos, em 2005, quando o airbag de um Chevrolet Cobalt não inflou após um acidente.

— Nossas filhas, filhos, irmãs, irmãos, mães, pais, esposas e esposos já não estão aqui porque era caro.

A GM concluiu em fevereiro passado que o problema tinha origem na chave de ignição, que voltava à posição de "parado" enquanto o veículo estava em movimento. Com a chave nesta posição os airbags não se inflam.

Analistas estimam que a GM terá de pagar bilhões de dólares em multas e indenizações, além do custo do reparo de milhões de veículos.

Os legisladores argumentaram que as mortes poderiam ter sido evitadas se a empresa tivesse agido para solucionar um problema sério mas barato, conforme explicou o Senador Ed Markey.

— Dois dólares: este era o custo para reparar o problema na chave. Mas estes dois dólares, aparentemente, eram muito para a General Motors.

Barra lembrou que "há mais de uma década, a GM embarcou em um programa de carros pequenos" e que "hoje não sabe dizer porque levou anos para solucionar um problema de segurança surgido neste programa".

— Quando tivermos as respostas, seremos completamente transparentes com vocês, com nossos reguladores e com nossos clientes.

A GM contratou o advogado Kenneth Feinberg — que se encarregou das indenizações do 11 de Setembro e do vazamento de petróleo da BP no Golfo do México — para analisar como indenizar as famílias e vítimas dos acidentes.

— Entendemos que também temos responsabilidades civis.

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