‘Americano’ ou ‘Canadiano’? Canadenses mudam nome de café em meio a tensões com EUA
Mudança começou como brincadeira em cafeteria, mas reflete guerra comercial e atrito político entre os dois países
Internacional|Do R7

Uma simples xícara de café virou símbolo de protesto no Canadá. Em meio a tensões comerciais com os Estados Unidos, cafeterias canadenses estão trocando o nome do tradicional “Americano” -- o popular café expresso diluído em água -- por “Canadiano”.
O que começou como uma piada interna em um estabelecimento da Colúmbia Britânica, segundo a Forbes, tem se tornado um movimento nacional sobre identidade e cultura em oposição às ameaças tarifárias e declarações expansionistas feitas por Donald Trump.
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Tudo teve início no início de fevereiro, quando a Kicking Horse Coffee, uma torrefação local, lançou um desafio no Instagram. “Por 16 anos, chamamos discretamente os ‘Americanos’ de ‘Canadianos’. Hoje, tornamos isso oficial e pedimos que cafeterias do país façam o mesmo. Junte-se a nós. Chame-os de ‘Canadianos’”, escreveu.
A postagem, inicialmente um aceno descontraído à identidade nacional, viralizou e deu início a uma onda de adesões -- e polêmicas, de acordo com a Barista Magazin, uma revista norte-americana especializada em cafés.
O movimento ganhou força depois do anúncio de tarifas de 25% sobre importações canadenses, feito por Trump em janeiro. A medida entrou em vigor na semana passada, mas foi suspensa até 2 de abril.
Os canadenses encontraram na mudança do nome do café uma resposta sutil, mas cheia de simbolismo, à taxação do republicano. “Não é só café, é sobre quem somos”, disse um cliente em um café de Vancouver à Forbes.
Nem todos abraçaram a novidade. Nas redes sociais, como o X, críticos pediram boicote ao Kicking Horse, argumentando que o nome “Canadiano” ignora a origem da bebida. “É uma mudança boba, só para provocar”, escreveu um usuário.
Já outras pessoas veem humor e orgulho na iniciativa. “Se os EUA podem ter ‘Freedom Fries’, nós podemos ter nosso ‘Canadiano’”, defendeu um apoiador.
Uma tradição de renomeações
Não é a primeira vez que alimentos viram palco de disputas geopolíticas. Durante a Primeira Guerra Mundial, o chucrute nos Estados Unidos foi rebatizado de “Liberty Cabbage” para apagar as raízes alemãs, segundo a Forbes.
Em 2003, restaurantes americanos trocaram “French Fries” (as famosas batatas fritas) por “Freedom Fries” em protesto à posição da França contra a Guerra do Iraque. No Brasil, em 2022, bares renomearam o drink “Moscow Mule” para “Kiev Mule” após a invasão da Ucrânia pela Rússia.
O “Americano”, por sua vez, já nasceu de uma adaptação. Segundo o Washington Post, o nome surgiu na Segunda Guerra Mundial, quando soldados americanos na Itália acharam o expresso local forte demais e pediram para diluí-lo com água — daí o café “Americano”.










