Após análise da OEA, Morales decide convocar novas eleições na Bolívia

Entidade apontou fraude no processo eleitoral da Bolívia e recomendou novo pleito em outro tribunal. Presidente anunciou renovação do TSE

Evo Morales anunciou que vai convocar novas eleições

Evo Morales anunciou que vai convocar novas eleições

REUTERS/Carlos Garcia Rawlins/10.11.2019

Pouco depois de a OEA (Organização dos Estados Americanos) emitir comunicado apontando fraude no processo eleitoral da Bolívia e recomendando um novo pleito em outro tribunal, o presidente Evo Morales declarou, neste domingo (10). que vai convocar eleições e renovar o Tribunal Superior Eleitoral no país.

Morales fez um pronunciamento a partir do hangar da Força Aérea da Bolívia na cidade de El Alto — que foi palco de protestos violentos no início deste domingo. A Bolívia passou a viver uma grave crise desde que Morales foi declarado presidente, em primeiro turno, para seu 4º mandato consecutivo.

O governante estava acompanhado de representantes de movimentos sociais simpatizantes do governo e disse que os consultou antes de tomar a decisão.

Morales ressaltou que concordou com a saída de todos os atuais membros do Tribunal Supremo Eleitoral e disse que o Parlamento boliviano, órgão competente para renovar a corte, iniciará em breve o processo para nomear novos integrantes.

O presidente boliviano destacou que convocou novas eleições para "baixar toda a tensão" e "pacificar a Bolívia".

OEA apontou fraude

Em comunicado, a OEA aconselhou que o processo eleitoral no país andino deve voltar a acontecer "assim que existam novas condições que deem novas garantias para sua realização, entre elas uma nova composição do órgão eleitoral".

"O primeiro turno das eleições ocorrido em 20 de outubro deve ser anulado, e o processo eleitoral deve começar novamente", diz a nota da OEA.

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A entidade fez um boletim sobre as circunstâncias em que aconteceu o primeiro turno das eleições.

"A Secretaria Geral da Organização dos Estados Americanos está acompanhando permanentemente os múltiplos aspectos da situação na Bolívia enquanto, diante das tensões que são vividas no país, solicitou à equipe de auditoria os máximos esforços para antecipar os resultados do relatório em processo de elaboração", acrescenta o texto. 

A organização explicou que a situação no país andino "exige aos atores governamentais e políticos das diferentes alas, assim como a todas as instituições atuar com apego à Constituição, responsabilidade e respeito pelas vias pacíficas".

Confrontos entre simpatizantes e opositores

Os confrontos entre simpatizantes e opositores de Morales desde o dia seguinte ao pleito começaram com as suspeitas de manipulação dos votos e têm saldo de ao menos três mortos e 384 feridos, segundo a Defensoria do Povo da Bolívia.