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Como o Exército ucraniano capturou dois chineses lutando ao lado da Rússia?

Soldados da China foram feitos prisioneiros por tropas da Ucrânia durante confrontos recentes no leste do país

Internacional|Do R7

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Inicialmente, os militares ucranianos acreditavam se tratar de soldados norte-coreanos
Inicialmente, os militares ucranianos acreditavam se tratar de soldados norte-coreanos Reprodução/X - @ZelenskyyUa

A guerra na Ucrânia ganhou um novo elemento de tensão nesta semana, após Kiev anunciar a captura de dois cidadãos chineses que estariam combatendo ao lado das forças russas na região de Donetsk. A presença de soldados de nacionalidade chinesa no front, até então inédita de forma oficial, acendeu um alerta diplomático e elevou o tom das cobranças a Pequim, cuja postura de neutralidade no conflito começa a ser questionada com mais força por Kiev.

Os dois homens foram feitos prisioneiros por tropas ucranianas durante confrontos recentes no leste do país. Segundo o governo, estavam integrados a unidades russas e carregavam documentos, cartões bancários e dados pessoais que confirmam sua origem chinesa. Um vídeo divulgado pelo presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, nas redes sociais mostra um dos detidos descrevendo os combates dos quais teria participado.

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“A Inteligência sugere que não se trata de um caso isolado. Há indícios de uma presença chinesa mais ampla entre as forças russas”, afirmou Zelensky, ao cobrar explicações formais de Pequim.

O presidente ainda ordenou que o ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Andrii Sybiha, acionasse imediatamente o governo chinês. Até o momento, não houve resposta oficial da China.

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A revelação da nacionalidade dos combatentes prisioneiros não foi imediata. Inicialmente, os militares ucranianos acreditavam se tratar de soldados norte-coreanos.

“Levou tempo até confirmarmos que estavam falando chinês. Agora, estamos investigando a possibilidade de haver mais mortos ou feridos entre eles”, declarou uma autoridade ucraniana sob anonimato à Reuters.

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A presença de estrangeiros nas linhas russas não é novidade, mas a inclusão de cidadãos chineses no campo de batalha, ainda que sob contrato individual, representa um potencial divisor de águas nas relações entre Ucrânia e China. A avaliação em Kiev é de que, mesmo sem envio oficial de tropas, a participação de cidadãos chineses compromete a credibilidade do discurso pacifista de Pequim.

“A China se apresenta como mediadora e defensora da paz. Mas o envolvimento de seus cidadãos na agressão russa contradiz esse papel”, disse o chanceler Sybiha, que também convocou o encarregado de negócios da China em Kiev para prestar esclarecimentos.

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Desde o início da guerra, a China tem evitado condenar diretamente a invasão da Ucrânia e vem mantendo uma aliança diplomática e econômica com Moscou. Apesar de não fornecer armamentos letais, Pequim tem sido acusada por Kiev e seus aliados ocidentais de sustentar a máquina de guerra russa com tecnologia, insumos e retaguarda financeira.

O caso também reacende a comparação com o apoio militar mais explícito da Coreia do Norte à Rússia. No ano passado, tropas norte-coreanas teriam sido enviadas à região de Kursk, dentro do território russo, para combater as forças ucranianas que avançaram sobre a fronteira. A diferença, segundo Zelensky, é que “os norte-coreanos estavam lutando em solo russo. Os chineses foram capturados dentro da Ucrânia”.

O anúncio da captura ocorre num momento sensível, com os Estados Unidos tentando reduzir sua exposição no conflito e pressionando por um cessar-fogo negociado, ao mesmo tempo em que a rivalidade com a China cresce em múltiplos fronts — do comércio, por meio de tarifas, à segurança global.

Para o governo ucraniano, a descoberta reforça a tese de que Moscou busca expandir sua rede de apoio externo e prolongar a guerra a qualquer custo. “Putin não quer encerrar o conflito, apenas encontrar novas formas de mantê-lo vivo. Isso exige uma resposta do mundo que ainda acredita na paz”, concluiu Zelensky.

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