‘Negociação de Israel é com o governo do Líbano, não com o Hezbollah’, analisa professor
Organização terrorista possui poderio militar maior do que o próprio país onde está sediada
Internacional|Do R7, com RECORD NEWS
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Após semanas de escalada militar e a captura do Castelo de Beaufort por tropas israelenses, representantes do Líbano e de Israel se reúnem nesta terça (2) novamente para tentar consolidar um cessar-fogo entre si. Os encontros dão sequência às conversas que ocorreram em maio, quando as nações prorrogaram por mais 45 dias a trégua.
A promessa, todavia, foi quebrada diversas vezes desde então. Vitélio Brustolin, professor de relações internacionais da UFF (Universidade Federal Fluminense), explica que isso se dá porque “a negociação de Israel é com o governo do Líbano, não é com o Hezbollah”. O grupo terrorista atua no país e possui forte influência no território.

“O Hezbollah tem mais potência militar do que o exército do Líbano. Inclusive, estimativa de que um terço dos integrantes do Hezbollah são também das forças armadas do Líbano”, afirmou no Conexão Record News desta terça-feira. A inserção do grupo dificulta as perspectivas de paz. Além disso, a expansão israelense sobre o sul libanês é outro desafio.
Donald Trump tenta mediar as conversas entre as nações, mas Brustolin desconfia da capacidade do líder. “Trump disse nessa segunda (1º) que, por meio de intermediários, negociou com o Hezbollah. Seria a primeira vez que um presidente dos EUA negociaria com um grupo considerado terrorista, ainda que usando intermediários [...]; mas nunca o presidente teria feito isso”.
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O professor indica que, para uma trégua ser efetivada, o Hezbollah teria de parar de atacar Israel; contudo, as chances de tal cenário ocorrer são baixas, uma vez que a ONU (Organização das Nações Unidas) é incapaz de obrigar a organização a se retirar do Rio Litani, próximo às fronteiras israelenses. “No final das contas, é um impasse. Mesmo que você chegue a um cessar-fogo agora, é improvável que isso acabe”.
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