Internacional Pesquisa aponta candidato de Evo na frente e direita tenta coalizão

Pesquisa aponta candidato de Evo na frente e direita tenta coalizão

Faltando 2 meses e meio para as eleições na Bolívia, o Tribunal Superior Eleitoral manteve suspensas candidaturas do partido MAS, de Evo Morales

Fernando Camacho convidou candidatos da direita a fazer coalizão

Fernando Camacho convidou candidatos da direita a fazer coalizão

Reprodução/Twitter

No próximo dia 3 de maio, os bolivianos voltarão às urnas para escolher um novo presidente, vice-presidente e integrantes para a Assembleia Legislativa do país. A dois meses e meio da votação, no entanto, os candidatos que irão concorrer no pleito ainda não estão confirmados.

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Isso porque além do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) deixar pendentes algumas candidaturas de destaque, como a de Luis Arce, candidato de Evo que aparece em primeiro lugar na última pesquisa, a direita também se reorganiza para ter um candidato único e maiores chances no pleito.

Além do processo eleitoral, a Bolívia também terá que vencer a crise institucional que se instaurou desde a última eleição, do dia 20 de outubro de 2019. Naquele domingo, os resultados parciais da corrida presidencial apontavam para um segundo turno entre Evo Morales e Carlos Mesa, mas uma mudança na tendência provocou a ira da oposição em várias capitais do país. 

A legislação eleitoral boliviana exige no mínimo 10 pontos percentuais de diferença entre o primeiro e o segundo colocado para que o segundo turno não seja necessário. Contudo, os resultados premilinares da eleição indicavam a possibilidade de um novo enfrentamento eleitoral entre os candidatos. 

No fim daquela noite, nos resultados que vinham sendo divulgados ao vivo pelo TSE — Órgão Eleitoral Plurinacional — apontaram às 21h53 (22h52 no horário de Brasília) que Evo tinha 46,4% dos votos, contra 37,07% de Mesa, com 98,98% das urnas apuradas. 

A contagem foi interrompida em quando retornou, a distância entre Morales e Mesa subiu e diminiu a possibilidade de um 2º turno. A oposição não quis esperar a contagem definitiva e alegou que os resultados haviam sido fraudados. Do lado de fora do TSE, grupos pró Evo e pró Mesa começaram se enfrentar e a contagem foi paralisada novamente

Protestos, mortes e desabastecimento

Daquele domingo em diante, a Bolívia vive dias de muita tensão porque a polarização do país se acentuou com inúmeros protestos que se espalharam em várias cidades. Em um primeiro momento foram dias de protestos violentos por parte da oposição exigindo a renúncia de Evo Morales, na ocasião, a polícia pediu a intervenção do Exército

Tribunais eleitorais de várias cidades foram invadidos e queimados, além de sedes do partidos MAS e outros órgãos públicos. A prefeita de Vinto, do partido de Evo, foi agredida na rua e teve seu cabelo cortado. Até mesmo a casa de Evo Morales foi invadida e depredada.

A OEA (Organização dos Estados Americanos) recomendou uma nova eleição e Evo convocou com o objetivo de tentar pacificar o país, mas no final do mesmo dia, o comandante em chefe das Forças Armadas da Bolívia, Williams Kaliman, fez um pronunciamento à imprensa pedindo a renúncia do presidente

Evo então renunciou, mas o que parecia ser o princípio da retomada da normalidade, foi início de um novo ciclo de intensos protestos, agora de manifestantes simpatizantes do ex-presidente. Os militares enviaram mais tropas para as ruas e pediram o apoio da oposição

Manifestantes contrários à renúncia de Evo fecharam as principais rodovias que dão acesso a La Paz e Santa Cruz. As cidades chegaram a registrar desabastecimento de combustível e comida e o governo anunciou a importação de comida por avião. 

A distribuidora de gás e gasolina, fábrica da Senkata, em El Alto acabou com oito mortos. A Comissão Interamericana de Direitos Humanos investiga mais de 30 mortes, provenientes de ações militares contra manifestantes pró Evo que provocaram alerta de diversas organizações.   

Intenção de voto

Dez dias após o início dos protestos, a senadora de oposição Jeanine Añez assumiu a presidência interina da Bolívia. Durante discurso para o parlamento sem quórum e apenas com opositores de Evo, ela anunciou que convocaria novas eleições presidenciais. Agora ela é uma das candidatas à presidência na novas eleições do dia 03 de maio. 

Uma pesquisa eleitoral feita pela Ciesmori, empresa fruto da fusão da CIES Internacional e da MORI sediada na Bolívia, e publicada nesta semana, colocou o candidato de Evo Morales do partido MAS, pouco mais de 10 pontos à frente do segundo colocado, Carlos Mesa.

Na pesquisa, o economista Luis Arce aparece em primeiro lugar com 31,6% das intenções de voto, em segundo lugar está o também economista Carlos Mesa, do Comunidad Ciudadana con 17,2%. Já a presidente interina, da Aliança Juntos, Jeanine Añez aparece com 16,5% em terceiro lugar.

Ainda de acordo com os dados divulgados pela Ciesmori, em quarto lugar com 9,6% está o candidato Fernando Camacho do Creemos, seguido de Chi Hyun com 5,4% e Jorge Quiroga com 1,6%.

Após o resultado da pesquisa de intenção de voto, nesta terça-feira (18), o candidato Fernando Camacho publicou um documento convidando todos os outros candidatos da direita a se unirem em torno de um só candidato. Segundo ele, 'se continuar como está, Evo voltará'.

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