Por que o Japão está tentando formar casais com pessoas que já tenham o mesmo sobrenome
Código Civil, que obriga a mudança de nome em caso de casamento, tem desestimulado os cidadãos a procurarem sua ‘cara-metade’
Internacional|Do R7
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No Japão, solteiros estão à procura de sua ‘cara-metade’ que tenha uma característica importante: ter o mesmo sobrenome. O motivo está longe de envolver questões que dizem respeito ao coração. Na verdade, é a legislação do país que tem incentivado cada vez mais os cidadãos a formarem um casal que não precise trocar o nome da família depois do casamento.
Esse fenômeno ganhou até um mercado. Empresas estão criando eventos de encontros para pessoas que já possuem o mesmo sobrenome. Só neste ano, pelo menos quatro eventos presenciais ao vivo foram realizados e pelo menos um encontro online havia sido programado, segundo o jornal The Japan Times.
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O negócio tenta atender àquelas pessoas que estão insatisfeitas com as regras do Código Civil do país, consideradas engessadas para uma sociedade que está em transformação. Pela lei japonesa, casais que registram formalmente seu casamento perante o governo devem adotar um único sobrenome. A necessidade de mudança de nome tem desestimulado algumas pessoas a se casarem,
Uma pesquisa encomendada pelo governo em 2021 mostrou que 31,9% das mulheres entrevistadas não tinham interesse em se casar e 8,6% dos homens que não tinham interesse em se casar não queriam mudar de sobrenome ou consideravam a mudança problemática.
O parlamento já estudou mudanças na legislação, o que permitiria o uso de sobrenomes diferentes em determinados casos, mas o debate está parado há anos.
A obrigatoriedade de trocar de nome implica em fazer uma nova carteira de motorista e passaporte, por exemplo. Incluindo todas as mudanças, os custos com burocracia acabam ficando alto demais para o japonês médio querer arcar. Além disso, segundo um dos promotores do evento de encontros ouvido pela imprensa japonesa, ainda há a “sensação de perda de identidade” vivenciada pela pessoa.
Até o momento, o perfil de quem participa dos encontros é de jovens entre 20 e 30 anos. Pelo menos 50 pessoas já estiveram nesses encontros. Em Tóquio, ocorreram sessões específicas para alguns dos sobrenomes japoneses mais comuns, como Suzuki, Tanaka, Sato e Ito, afirma reportagem do jornal japonês Mainichi Shimbun.
Os clientes tiveram 90 minutos para se conhecer. A dinâmica dos encontros consistia em grupos de quatro pessoas, dois homens e duas mulheres. Eles tinham 15 minutos cada para conversar com um possível pretendente antes de trocar de parceiro.
Caso o empreendimento tenha sucesso e cresça, a empresa ouvida pelo Mainichi Shimbun promete ampliar o negócio para atender outros sobrenomes, incluindo os mais incomuns.
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