A IA melhorou os textos, e isso está me preocupando
Quando a ferramenta resolve o problema errado, a solução vira um novo problema

Tem uma coisa estranha acontecendo com a qualidade dos textos nos últimos meses. Eles ficaram melhores. Muito melhores. E isso, em vez de me deixar tranquilo, acendeu um alerta.
A lógica deveria ser simples: texto melhor, resultado melhor. Mas existe uma diferença enorme entre um texto que está bem escrito e um texto que tem algo a dizer. E, quando os dois começam a parecer a mesma coisa, alguma coisa saiu do lugar.
O LinkedIn está cheio disso. Você sente quando lê. A estrutura é impecável, o raciocínio flui, a frase final está lá, redondinha, pronta pra ser salva como citação. E, de repente, você percebe que acabou de ler o mesmo texto três vezes, de três pessoas diferentes, sobre três assuntos diferentes.
A questão não é se a ferramenta funciona. É o que acontece com a criatividade quando todo mundo passa a usar a mesma ferramenta, do mesmo jeito, para dizer a mesma coisa.
A criatividade sempre dependeu da diferença. De alguém enxergar de um ângulo que os outros não estavam olhando, de errar de um jeito que abria uma porta nova. Quando tudo converge para o mesmo padrão, o que some não é só a diversidade de forma. É a diversidade de pensamento.
Talvez a próxima habilidade rara não seja escrever bem. Seja ter algo a dizer que não poderia ter saído de mais ninguém.
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