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A coincidência que virou plataforma de marca

Um banco descobriu que já tinha as letras certas no nome. E transformou isso em aula de marketing

Além do Marketing|Murilo MorenoOpens in new window

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IA do Itaú Divulgação / Itaú Unibanco

Toda vez que o Itaú lança uma campanha grande, dá pra aprender alguma coisa de marketing só de acompanhar o processo. Segunda, depois de trocar sua marca em algumas poucas fachadas e ter colocado vídeos nas redes sociais com influenciadores perguntando o que estava acontecendo, revelou do que se tratava. É a nova campanha de lançamento da sua Inteligência Artificial.

O banco não começou a ter IA agora. Nem os seus concorrentes são analfabetos em usar os vários GPTs da vida. Mas a grande inovação é em assumir, nas propagandas, que suas plataformas estarão cada vez mais artificiais e menos humanas. Como o “Cara que fica lá em cima” parece gostar do Itaú, por sorte as letras I e A já estão em seu nome. Ou se não, o verdadeiro criador das Inteligências Artificiais foi o José Balbino Siqueira que, em 1944, batizou o banco já pensando na coincidência.


Tem uma aula de marketing em transformar isso em publicidade. Vai virar curso se isso não for uma simples campanha, mas sim uma plataforma estratégica. Histórico o banco tem. Em 1998, ao lançar o Bankline, criou a i-arroba, aquele fechamento de comercial em que os atores desenhavam uma arroba no ar e terminavam colocando um pingo. Imediatamente, você lembrava da internet. Mas só ficou na memória porque o gesto foi repetido e repetido durante anos. E só saiu do ar em 2012.

Apropriar-se da IA tem prós e contras. O maior pró é posicionar-se como moderno e diminuir a distância que existe entre o bancão tradicional e o Nubank. Talvez isso faça com que o jovem volte a pensar em ser seu correntista. O grande contra é ter uma porta aberta para invasões, ao usar os LLMs, os programas de IA, que existem no mercado. Os executivos dizem que o risco é mínimo, que fizeram uma versão que une ferramentas do mercado, programas proprietários e automações. Mas nunca deixa de ter um medinho de abrir o aplicativo e descobrir que o dinheiro foi todo embora por causa de um ataque hacker. De novo, não é que o risco não exista nos outros bancos, só que eles não lembram o consumidor dessa possibilidade.


De toda forma, Itaú coloca mais um tijolinho na construção de sua marca. Resta ver se a campanha vai se sustentar quando estrear nos comerciais de TV aberta, fora das redes sociais.

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