Após frear elétricos, Stellantis volta a lucrar em 2026
Stellantis volta ao lucro no 1º trimestre de 2026 e indica recuperação após crise com elétricos e retomada do motor V8

A Stellantis iniciou 2026 com sinais concretos de recuperação financeira após um período marcado por perdas bilionárias e revisão da estratégia global focada antes em carros elétricos. O balanço do primeiro trimestre mostra retorno ao lucro e melhora consistente nos principais indicadores, impulsionados por ganho de eficiência operacional, crescimento de volumes e ajustes estratégicos no portfólio. E foi justamente nos EUA, onde a marca retirou o V8 das picapes RAM e linha Dodge, e apostou em um Charger elétrico, onde os sinais foram revertidos.

A receita líquida do grupo atingiu € 38,1 bilhões, cerca de R$ 220 bilhões em valores convertidos. alta de 6% na comparação anual, enquanto o lucro líquido voltou ao campo positivo, somando cerca de € 377 milhões (R$ 2,2 bilhões) a € 400 milhões (R$ 2,4 bilhões) — revertendo prejuízo registrado no mesmo período de 2025.

O lucro operacional ajustado chegou a € 1,0 bilhão, cerca de R$ 6 bilhões, com margem de 2,5%, praticamente triplicando em relação ao ano anterior, evidenciando melhora na execução industrial e no desempenho comercial da companhia.

Outro indicador relevante foi o fluxo de caixa industrial, ainda negativo em € 1,9 bilhão, ou R$ 11,4 bilhões, mas com melhora de 37% frente a 2025 — reflexo direto das ações de reestruturação adotadas pelo grupo.
Recuperação nos EUA
O avanço nos números está ligado principalmente ao aumento de vendas em mercados-chave e à retomada operacional após um período de transição. A América do Norte foi o principal motor do crescimento, com alta de 6% nas vendas, incluindo avanço de 4% nos Estados Unidos e ganhos expressivos no Canadá e México.

Modelos das marcas Jeep e Ram tiveram papel central nessa recuperação, com destaque para a ampliação do portfólio e a volta de versões com motores a combustão de maior apelo comercial. O novo Cherokee, a retomada da RAM com motor V8 Hemi como opção e o Charger com motor Hurricane 6 melhoraram as vendas na região.

O grupo se beneficiou da boa recepção de lançamentos feitos em 2025 e prepara uma ofensiva com 10 novos veículos e seis atualizações ao longo de 2026, o que deve sustentar o crescimento no restante do ano.
Mudança de rota: menos elétricos, mais equilíbrio
A melhora no balanço também está diretamente ligada à revisão da estratégia da Stellantis. Após registrar perdas bilionárias em 2025 com a aposta agressiva em veículos elétricos — incluindo um impacto superior a € 20 bilhões ou R$ 120 bilhões — a empresa passou a adotar uma abordagem mais equilibrada entre motores a combustão, híbridos e elétricos.
Liquidez forte e foco em estabilidade
Mesmo em fase de ajuste, a Stellantis mantém uma base financeira robusta. A liquidez disponível encerrou o trimestre em € 44,1 bilhões, cerca de R$ 264 bilhões, dentro da faixa considerada ideal pela companhia, reforçando a capacidade de investimento e adaptação ao cenário global.

Perspectiva para 2026
A Stellantis mantém o guidance para o ano, com expectativa de crescimento de receita, melhora nas margens e evolução do fluxo de caixa. A meta é consolidar o retorno à lucratividade de forma sustentável, após um dos períodos mais desafiadores desde a criação do grupo em 2021.
O resultado do trimestre indica que a estratégia começa a surtir efeito, mas ainda há desafios relevantes, principalmente na América do Norte e na adaptação ao novo equilíbrio entre eletrificação e motores tradicionais. Ainda há desafios como a eletrificação atrasada em vários mercados mas com boa aceitação do novo porfolio especialmente nas linhas RAM e Jeep.
✅Fique por dentro das principais notícias do dia no Brasil e no mundo. Siga o canal do R7, o portal de notícias da Record, no WhatsApp













