Caminhões elétricos avançam na China e já ameaçam consumo global de diesel
Plano do governo chinês inclui corredores de recarga rápida e frotistas apostam em custos menores de transporte

A China está acelerando a eletrificação do transporte pesado em uma velocidade inédita. Depois de dominar o mercado global de carros elétricos, o governo chinês agora concentra esforços em caminhões e veículos comerciais pesados, segmento historicamente dependente do diesel. O avanço é tão rápido que analistas já projetam impactos diretos no mercado global de petróleo na próxima década.

Durante o Salão de Pequim, o R7-Autos Carros viu diversas iniciativas em caminhões elétricos como a iniciativa da GAC, Jac Motors e também BYD e GWM, esta última com motores a hidrogênio.

No evento, fabricantes como GAC Lincheng e FAW Group apresentaram novos caminhões ará longas distâncias e ganharam destaque na imprensa local.

Os caminhões elétricos já representam cerca de um quarto das vendas de veículos pesados novos na China. Porém o foco está em modelos urbanos. E a ideia é ampliar bem mais esse foco. Em algumas regiões industriais e corredores logísticos, os modelos elétricos passaram a superar versões movidas a diesel em determinadas aplicações urbanas e de curta distância.

O avanço faz parte do novo plano quinquenal do governo chinês voltado à descarbonização do transporte e à redução da dependência energética externa. Nos próximos meses a ideia é chegar a 10.700km cobertos com sistemas de carga rápida ou troca de baterias para caminhões.

As projeções mais agressivas apontam que os caminhões elétricos poderão responder por até 50% das vendas de pesados na China já em 2028. Em horizontes mais longos, estudos do setor estimam participação próxima de 63% das vendas totais em cerca de dez anos, consolidando uma mudança estrutural no maior mercado automotivo do planeta.

Hoje, a principal vantagem dos caminhões elétricos chineses está no custo operacional. O conceito de “custo por quilômetro” virou prioridade para transportadoras e operadores logísticos. Com energia mais barata, manutenção reduzida e menor desgaste mecânico, muitas empresas já consideram os elétricos mais vantajosos que modelos diesel ou movidos a gás natural liquefeito (GNL).

O crescimento acelerado também impulsiona a indústria chinesa de baterias. A CATL, maior fabricante mundial do setor, inaugurou recentemente uma nova base industrial de 60 GWh voltada a baterias para caminhões elétricos e sistemas de armazenamento de energia. O complexo faz parte da estratégia chinesa de criar uma cadeia produtiva totalmente integrada para veículos comerciais eletrificados.

Outro ponto central é a infraestrutura. A China vem ampliando corredores logísticos com recarga ultrarrápida e estações específicas para caminhões pesados. O objetivo é criar uma rede nacional capaz de atender rotas industriais e corredores de exportação. A estratégia lembra o que ocorreu anteriormente com ônibus elétricos urbanos, segmento em que a China já domina praticamente todo o mercado global.

A mudança também preocupa a indústria do petróleo. Analistas internacionais afirmam que o avanço dos caminhões elétricos pode antecipar o pico de consumo de diesel na China. O transporte rodoviário responde por cerca de dois terços da demanda chinesa pelo combustível, e a expectativa é de queda significativa no uso até 2030.
Fabricantes chinesas como BYD, Sany, Foton, FAW, Dongfeng e XCMG lideram essa transformação e começam a mirar exportações para mercados da Europa, Oriente Médio, América Latina e Sudeste Asiático. A ofensiva ocorre no momento em que montadoras tradicionais ocidentais ainda avançam lentamente na eletrificação de caminhões pesados devido aos custos elevados de baterias e à falta de infraestrutura em muitos países.
✅Fique por dentro das principais notícias do dia no Brasil e no mundo. Siga o canal do R7, o portal de notícias da Record, no WhatsApp














