Carro popular: relembre três momentos em que tivemos veículos baratos
Preço do carro sempre teve influência dos altos impostos e governos seguiram rumos parecidos para tentar baratear o valor do automóvel novo
Autos Carros|Marcos Camargo Jr. e Marcos Camargo Jr.

A indústria automobilística brasileira vive sempre uma promessa de tempos melhores. E hoje sabemos que a própria indústria já não está mais interessada em volume mas sim em lucros maiores. No passado, já vimos alguns momentos em que o governo interviu na indústria baixando impostos ou oferecendo crédito para a compra de um carro zero. Isso ocorreu basicamente nos anos 1960, na virada dos anos 1990 e no governo Lula. Vamos lembrar em que momentos isso ocorreu e o que aconteceu depois.
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Primeiro projeto: 1965
Em 1965 o governo militar criou uma linha de crédito para compra de carros zero quilômetros dentro de uma faixa de preço. Era preciso se inscrever no programa e se aprovado, ter uma análise de crédito para a compra de um modelo de entrada. E esse modelo não existia.

Assim, as fábricas da época criaram modelos como o Fusca Pé de Boi, com motor 1200, sem cromados, sem para-choques reforçados, sem marcador de combustível ou nada de “luxo”.

Nessa época também foram feitos carros como o DKW Pracinha, Simca Profissional e Willys Teimoso, na mesma toada. Mas o sucesso foi limitado pois o carro mais barato da época custava R$ 120 mil, caso do Fusca. Isso dá uma ideia de quanto os carros populares eram caros na época.

Carro popular no governo Collor: 1990
O segundo movimento para tentar baratear o preço dos carros foi feito pelo governo Collor em maio de 1990. Na época da hiperinflação o IPI passava de 37% para 20% para modelos com motor de até 1 litro.

Só a Fiat tinha um motor pronto para atender o programa e usou o propulsor Fiasa de 994cm3 para colocar no Mille, que perdia itens como ajuste dos bancos, espelhos nos para-sóis, rádio e conta-giros para custar menos. Na sequência, vieram Escort Hobby, Chevette Junior e Volkswagen Gol 1000 com motor CHT (da Ford, por conta da joint-venture com a VW que formou a Autolatina).

O Uno custava em valores atualizados cerca de R$ 51 mil nos dias de hoje, o que era um valor bem competitivo, mas a inflação atrapalhou os planos do governo e após a abertura econômica as montadoras passaram a investir em novidades. Projetos como o Ford Fiesta e Ka, Gol de segunda geração e Corsa chegariam com força após a estreia do plano real em 1994.

Redução de IPI nos anos 2000
O terceiro movimento para reduzir o preço do carro de entrada no país foi dado durante o segundo governo Lula. A lista incluía redução do IPI para carros com motorização de 1 litro e desconto menor para carros de motorização mais alta. Funcionou apesar das críticas, uma vez que todos os recordes de produção foram alcançados entre 2009 e 2012, mesmo com a crise econômica mundial.

Com crédito barato, a produção de veículos superou 3,5 milhões de unidades ainda em 2014. Nos anos seguintes, cairia drasticamente chegando ao pior momento em 2016 durante o governo Dilma.

No entanto, a partir de 2014, com novas regras de emissões e a pressão por mais dispositivos de segurança, os carros começaram a ficar mais caros e mais equipados.

A entrada da obrigatoriedade de airbags e ABS tiraram modelos lendários de linha como a Volkswagen Kombi, Fiat Uno e também outros modelos ficaram inviáveis como Chevrolet Corsa, Gol de segunda geração bem como outros mais antigos.
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A partir desse momento os projetos seriam de carros mais equipados como Onix, Argo, Ka, entre outros, que eram mais caros que os seus antecessores.















