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Carro popular: relembre três momentos em que tivemos veículos baratos

Preço do carro sempre teve influência dos altos impostos e governos seguiram rumos parecidos para tentar baratear o valor do automóvel novo

Autos Carros|Marcos Camargo Jr. e Marcos Camargo Jr.

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Fusca “Pé de Boi” lançado em 1965
Fusca “Pé de Boi” lançado em 1965

A indústria automobilística brasileira vive sempre uma promessa de tempos melhores. E hoje sabemos que a própria indústria já não está mais interessada em volume mas sim em lucros maiores. No passado, já vimos alguns momentos em que o governo interviu na indústria baixando impostos ou oferecendo crédito para a compra de um carro zero. Isso ocorreu basicamente nos anos 1960, na virada dos anos 1990 e no governo Lula. Vamos lembrar em que momentos isso ocorreu e o que aconteceu depois.

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Primeiro projeto: 1965

Em 1965 o governo militar criou uma linha de crédito para compra de carros zero quilômetros dentro de uma faixa de preço. Era preciso se inscrever no programa e se aprovado, ter uma análise de crédito para a compra de um modelo de entrada. E esse modelo não existia.


Modelo da VW era bem sucedido no plano de financiamento da Caixa
Modelo da VW era bem sucedido no plano de financiamento da Caixa

Assim, as fábricas da época criaram modelos como o Fusca Pé de Boi, com motor 1200, sem cromados, sem para-choques reforçados, sem marcador de combustível ou nada de “luxo”.

DKW Pracinha: versão simplificada era dedicada às famílias
DKW Pracinha: versão simplificada era dedicada às famílias

Nessa época também foram feitos carros como o DKW Pracinha, Simca Profissional e Willys Teimoso, na mesma toada. Mas o sucesso foi limitado pois o carro mais barato da época custava R$ 120 mil, caso do Fusca. Isso dá uma ideia de quanto os carros populares eram caros na época.


Gordini Teimoso foi a resposta da Willys/Renault ao programa do carro popular
Gordini Teimoso foi a resposta da Willys/Renault ao programa do carro popular

Carro popular no governo Collor: 1990

O segundo movimento para tentar baratear o preço dos carros foi feito pelo governo Collor em maio de 1990. Na época da hiperinflação o IPI passava de 37% para 20% para modelos com motor de até 1 litro.


Em meio à hiperinflação, Collor relança o programa do Carro Popular em 1990
Em meio à hiperinflação, Collor relança o programa do Carro Popular em 1990

Só a Fiat tinha um motor pronto para atender o programa e usou o propulsor Fiasa de 994cm3 para colocar no Mille, que perdia itens como ajuste dos bancos, espelhos nos para-sóis, rádio e conta-giros para custar menos. Na sequência, vieram Escort Hobby, Chevette Junior e Volkswagen Gol 1000 com motor CHT (da Ford, por conta da joint-venture com a VW que formou a Autolatina).

Uno Mille foi o mais bem sucedido em 1990: motor era de 994cm3 do Fiat 147
Uno Mille foi o mais bem sucedido em 1990: motor era de 994cm3 do Fiat 147

O Uno custava em valores atualizados cerca de R$ 51 mil nos dias de hoje, o que era um valor bem competitivo, mas a inflação atrapalhou os planos do governo e após a abertura econômica as montadoras passaram a investir em novidades. Projetos como o Ford Fiesta e Ka, Gol de segunda geração e Corsa chegariam com força após a estreia do plano real em 1994.

Volkswagen respondeu com o GOL 1000
Volkswagen respondeu com o GOL 1000

Redução de IPI nos anos 2000

O terceiro movimento para reduzir o preço do carro de entrada no país foi dado durante o segundo governo Lula. A lista incluía redução do IPI para carros com motorização de 1 litro e desconto menor para carros de motorização mais alta. Funcionou apesar das críticas, uma vez que todos os recordes de produção foram alcançados entre 2009 e 2012, mesmo com a crise econômica mundial.

Ford ESCORT Hobby era o mais bem equipado dos populares nos anos 1990
Ford ESCORT Hobby era o mais bem equipado dos populares nos anos 1990

Com crédito barato, a produção de veículos superou 3,5 milhões de unidades ainda em 2014. Nos anos seguintes, cairia drasticamente chegando ao pior momento em 2016 durante o governo Dilma.

Após a crise de 2008, Lula relançou o programa de redução de impostos
Após a crise de 2008, Lula relançou o programa de redução de impostos

No entanto, a partir de 2014, com novas regras de emissões e a pressão por mais dispositivos de segurança, os carros começaram a ficar mais caros e mais equipados.

Indústria responderia com novos produtos como o Corsa Wind de 1994
Indústria responderia com novos produtos como o Corsa Wind de 1994

A entrada da obrigatoriedade de airbags e ABS tiraram modelos lendários de linha como a Volkswagen Kombi, Fiat Uno e também outros modelos ficaram inviáveis como Chevrolet Corsa, Gol de segunda geração bem como outros mais antigos.

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A partir desse momento os projetos seriam de carros mais equipados como Onix, Argo, Ka, entre outros, que eram mais caros que os seus antecessores.

Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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