Fiat Tipo sai de linha na Turquia após 11 anos e 1,4 milhão de unidades produzidas
Hatch médio tem memória afetiva com o Brasil dos anos 1990 e versão recente inspirou “nossos” Argo e Cronos

O nome Fiat Tipo ainda desperta memória afetiva no Brasil. Nos anos 1990, o hatch médio importado da Itália fez sucesso por aqui com desenho moderno, bom espaço interno e uma proposta mais sofisticada que a dos compactos nacionais da época. Décadas depois, o nome voltou à Europa em outro formato: o Fiat Egea, sedã desenvolvido na Turquia que foi vendido como Fiat Tipo em vários mercados e agora encerra sua produção após 11 anos.

A última unidade saiu da fábrica da Tofaş, em Bursa, na Turquia. Segundo a Fiat, foram 1.417.047 unidades produzidas desde 2015, com exportação para mais de 40 países. No mercado turco, onde manteve o nome Egea, o modelo foi um fenômeno comercial e liderou as vendas em 10 dos 11 anos de produção.

Lançado em 2015 para a Europa
O projeto nasceu como sedã, mas depois ganhou carrocerias hatch, perua e versões Cross. A unidade final foi um Egea Sedan Lounge 1.6 Multijet DCT de 130 cv, na cor azul Dinamik Mavi.

Tecnicamente, o Egea/Tipo usava a plataforma Small Wide de motor dianteiro e tração dianteira. O sedã tinha 4,53 m de comprimento, 1,79 m de largura, 1,49 m de altura, 2,64 m de entre-eixos e porta-malas de 520 litros. O hatch media 4,36 m e oferecia 440 litros de porta-malas, enquanto a perua chegava a 4,57 m e 550 litros de capacidade.

A gama de motores variou conforme o mercado. Entre as opções estiveram o 1.4 Fire de 95 cv, o 1.6 E.torQ, o 1.0 turbo FireFly de 120 cv, o 1.5 turbo híbrido leve de 130 cv e os diesel 1.3 e 1.6 Multijet. Na configuração final turca, o 1.6 Multijet entregava 130 cv, com câmbio automatizado de dupla embreagem DCT.

Embora nunca tenha sido vendido no Brasil nesta geração, o Tipo europeu ajuda a entender parte da linguagem visual adotada pela Fiat em modelos regionais. O Argo, produzido no Brasil, e o Cronos, feito na Argentina, não têm ligação direta de plataforma com o Egea, mas seguiram uma escola parecida de desenho: frente com grade larga, faróis afilados, vincos laterais marcados e uma tentativa de dar aparência mais encorpada a modelos de proposta familiar.

No caso do Cronos, a relação visual é ainda mais evidente por se tratar de um sedã compacto de três volumes, com traseira curta e porta-malas destacado. Já o Argo assumiu a função de hatch nacional com porte menor, mas com solução estética semelhante na dianteira e nas laterais. Em ambos, a Fiat buscou uma leitura mais moderna e global, algo que o Egea já havia antecipado na Europa e na Turquia.

Espaço para o 600 e Grande Panda
O fim da produção do Egea também marca uma mudança de estratégia da Fiat na Europa, onde hatches, sedãs e peruas tradicionais perderam espaço para SUVs e crossovers. A própria marca tem concentrado esforços em modelos como 600, Panda, Grande Panda e derivados eletrificados, enquanto o Tipo deixa de ser o produto racional de grande volume que sustentou a operação turca por mais de uma década.
Para o público brasileiro, o encerramento tem um sabor curioso. O Tipo dos anos 1990 foi um dos Fiat médios mais lembrados por aqui, símbolo de uma época em que carros importados voltavam a disputar espaço nas ruas do país.
Já o Tipo moderno, nascido como Egea, nunca chegou oficialmente ao Brasil, mas repetiu em outros mercados uma fórmula que também fez fama por aqui: bom espaço interno, preço competitivo e desenho simples, mas bem resolvido.
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