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Kombi celebra seu dia e relembra trajetória iniciada no Brasil há 69 anos

Utilitário começou a ser produzido em São Bernardo do Campo em 2 de setembro de 1957, mas já circulava no país desde 1950

Autos Carros|Marcos Camargo JrOpens in new window

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Linha de montagem da Volkswagen Kombi Volkswagen/Divulgação

A Volkswagen Kombi celebra nesta quarta-feira (2) seu dia nacional e os 69 anos do início de sua produção no Brasil. O utilitário começou a sair da linha de montagem nacional em 2 de setembro de 1957, na fábrica da Via Anchieta, em São Bernardo do Campo (SP), tornando-se o primeiro veículo efetivamente fabricado pela Volkswagen no país.


Linha de montagem da Volkswagen Kombi Volkswagen/Divulgação

A história brasileira da Kombi, entretanto, havia começado sete anos antes. As duas primeiras unidades importadas da Alemanha chegaram ao Porto de Santos em 11 de setembro de 1950, poucos meses depois do lançamento europeu do modelo. Outros lotes foram trazidos pelo Grupo Brasmotor, então representante da Volkswagen no mercado nacional. Concorrendo com modelos importados e utilitários mais antigos a Kombi rapidamente se tornou referência de robustez e economia capaz de levar quase 1 tonelada de carga em um veículo compacto de manutenção simples.

Linha de montagem da Volkswagen Kombi Volkswagen/Divulgação

Em 1953, a Kombi e o Fusca passaram a ser montados em um galpão localizado no bairro do Ipiranga, na capital paulista. Os veículos chegavam desmontados da Alemanha no sistema CKD, sigla em inglês para “completely knocked down”, e eram montados localmente. Nos dois primeiros anos dessa operação foram montados 552 exemplares da Kombi e 2.268 unidades do Fusca.


Linha de montagem da Volkswagen Kombi Volkswagen/Divulgação

Mesmo com o sucesso do Fusca a Volkswagen iniciou a produção pelo utilitário para adequar a linha de produção até que o sedã viesse dois anos depois.

Linha de montagem da Volkswagen Kombi Volkswagen/Divulgação

Assim, quando a fabricação nacional começou em 1957, a Kombi já era conhecida e havia conquistado espaço comercial no Brasil. Sua carroceria ampla, a mecânica relativamente simples e a possibilidade de transportar passageiros ou mercadorias fizeram do veículo uma ferramenta de trabalho para comerciantes, agricultores, transportadores e pequenos empresários.


Linha de montagem da Volkswagen Kombi Volkswagen/Divulgação

Com famílias grandes na época, a Kombi também se tornou um veículo familiar capaz de levar até nove pessoas, algo que nem um modelo similar da época como a Rural Willys (nos anos 1960) ou a Chevrolet Amazona (a partir de 1959) podiam fazer.

Linha de montagem da Volkswagen Kombi Volkswagen/Divulgação

A primeira Kombi brasileira deixou a linha da Via Anchieta com 54,5% de componentes nacionais, índice superior aos 50% exigidos pelo Grupo Executivo da Indústria Automobilística, o Geia. O motor e a transmissão ainda eram importados da Alemanha. Até o final daquele ano, a Volkswagen produziu 371 unidades no país. O Fusca, embora montado desde 1953, somente entrou em fabricação nacional em janeiro de 1959. A cronologia foi recuperada pelo Motor1 com informações do acervo da Volkswagen⁠.


Anúncios clássicos da Kombi Volkswagen/Reprodução

A Kombi de número 001 tinha pintura Verde Areia, motor boxer 1.2 refrigerado a ar e potência de aproximadamente 30 cv. Entre suas particularidades estavam as setas móveis instaladas nas colunas, conhecidas como “bananinhas”, além do tanque reserva, necessário porque o veículo não possuía marcador de combustível. Havia até a possibilidade de dar partida por meio de uma manivela.

Anúncios clássicos da Kombi Volkswagen/Reprodução

Seu nome nasceu da abreviação do termo alemão “Kombinationsfahrzeug”, que pode ser traduzido como veículo combinado. A denominação resumiu uma das principais virtudes do projeto: a mesma base poderia ser utilizada como furgão de carga, veículo de passageiros, ambulância, transporte escolar, lotação, picape ou motorhome.

Anúncios clássicos da Kombi Volkswagen/Reprodução

Ao longo dos anos, a Kombi recebeu mudanças graduais sem abandonar sua arquitetura característica. Em 1967, o antigo motor 1200 foi substituído pelo 1500 de 44 cv. A versão picape de cabine simples também passou a integrar a gama nacional, ampliando a presença do modelo entre comerciantes e prestadores de serviço.

Em 1975, o utilitário ganhou uma atualização visual inspirada na segunda geração europeia, com para-brisa inteiriço no lugar das duas peças separadas. O Brasil, contudo, manteve parte da estrutura da geração original, criando uma configuração própria que combinava elementos de diferentes fases do projeto alemão.A mudança mecânica mais profunda ocorreu em 2005, já como linha 2006, quando o tradicional motor boxer refrigerado a ar deixou de ser oferecido. Em seu lugar entrou o 1.4 flex refrigerado a água, que exigiu a instalação de uma grade dianteira para alimentar o radiador. Mesmo modernizada, a Kombi preservou o formato básico desenvolvido no final da década de 1940.

A produção brasileira terminou em dezembro de 2013, após mais de 1,5 milhão de unidades fabricadas. O projeto já não poderia ser adaptado de maneira viável à exigência de airbags frontais e freios ABS para todos os veículos novos vendidos no país a partir de 2014. Para marcar a despedida, a Volkswagen lançou a série Last Edition, limitada a 1.200 exemplares com pintura azul e branca e acabamento de inspiração retrô.Depois de 56 anos de fabricação contínua no Brasil, a Kombi deixou de ser apenas um veículo comercial. O modelo participou da expansão das cidades, transportou trabalhadores e famílias, serviu como loja, oficina e casa sobre rodas.A Kombi também recebe homenagens até hoje. Dia 20 de setembro, o evento “DNK - Dia Nacional da Kombi” será organizado com o AutoShow e o Kombi Clube no sambódromo do Anhembi.

Por isso, o dia 2 de setembro permanece como uma celebração não apenas de um automóvel, mas de um dos capítulos mais importantes da indústria brasileira. A Kombi até hoje ainda é usada como veículo de trabalho (ou de passeio) mesmo 12 anos após ter saído de linha.

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