Testamos o novo Mustang Mach-E elétrico: presente, passado e futuro juntos
Esportivo troca motor V8 e tração traseira por motor elétrico silencioso, tração integral e a sensação de estar a bordo de um carro ainda mais rápido
Autos Carros|Marcos Camargo Jr e Marcos Camargo Jr.

O Mustang Mach-E é uma das grandes apostas da Ford para o futuro dos modelos elétricos. Lançado há pouco tempo no Brasil, o carro pode ser definido como uma mistura de passado, presente e futuro da marca. O Mustang Mach-E mescla a tradição que teve início em abril de 1964 com o conceito de um SUV tão relevante nos dias de hoje, aliado à tração elétrica. Vendido nos EUA desde 2020, ele foi mostrado pela primeira vez ano passado e agora está disponível no nosso mercado na versão única GT Performance.
Mas… é um Mustang?

O novo Mach-E é um produto completamente novo e não possui nenhuma relação com o Mustang a combustão, que continua firme no portfólio da marca, com seu motor V8 a gasolina e tração traseira. O Mach-E utiliza uma nova plataforma e aposta em um legado distinto daquele idealizado por Lee Iacocca, o "pai" do Mustang. Esse novo legado é elétrico e vem com tração integral, com um olhar voltado para um novo capítulo na história da marca.
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O design do Mustang Mach-E sugere esportividade, com o capô alongado, as assinaturas de luz dianteira e traseira e o pilar "C" — além, é claro, do nome que resgata o clássico esportivo. O dinamismo das linhas combina perfeitamente com a nova proposta do modelo elétrico.

Com relação ao espaço interno, devido ao piso completamente plano, há uma boa amplitude. No banco traseiro, encontramos bastante espaço para as pernas e na altura da cabeça. Isso é bem diferente do tradicional Mach 1. O Mustang Mach-E oferece espaço suficiente para que cinco adultos se acomodem confortavelmente, principalmente em curtas distâncias.

Há inúmeros "porta-trecos" de armazenamento para uma variedade de itens de diversos tamanhos. No entanto, a principal atração no interior da cabine é o enorme sistema de infoentretenimento. Trata-se de uma tela sensível ao toque de 15,5 polegadas com aparência futurista e impressionante capacidade de resposta, acompanhada de um botão analógico de volume do som na parte inferior.
Além disso, há uma tela de 10,2 polegadas no lugar do quadro de instrumentos, que pode ser personalizada. Nela, em destaque, é possível visualizar a autonomia e o status das baterias.
Teste dinâmico

Avaliamos o novo Mustang Mach-E em trânsito urbano, estradas e, por fim, nas pistas de um autódromo, onde foi possível ser um pouco mais ousado nas manobras.
Para enfatizar, sem nenhuma relação com o Mustang a combustão, não há um atraso ao pisar no acelerador, como é comum no V8 que já conhecemos. O Mustang Mach-E oferece aceleração esportiva e silenciosa, com som interno que tem um aspecto um pouco metálico, mas instigante. Sentiremos falta do ronco envolvente do V8, mas agora é o torque imediato que dita o ritmo.

O Mustang Mach-E está equipado com diversos dispositivos de segurança e recursos de dirigibilidade que são esperados em um carro de alto padrão. Isso inclui detecção de faixa, controle de cruzeiro adaptativo, alerta de colisão e tráfego cruzado, frenagem autônoma de emergência, assistente de manobras evasivas, reconhecimento de placas e um total de nove airbags, além dos freios ABS e dos controles de tração e estabilidade, que são obrigatórios.
Na cidade

A posição de direção é mais elevada, o que nos remete a um SUV, mas sem exageros. O Mustang Mach-E se esforça para proporcionar conforto e uma sensação mais "familiar" quando a potência elétrica não é necessária.
As colunas dianteiras criam pequenos pontos cegos, mas não chegam a atrapalhar. Os retrovisores externos são um tanto pequenos e podem dificultar, especialmente em manobras em uma cidade como São Paulo, onde avaliamos o modelo.
O estilo esportivo resulta em uma janela traseira inclinada e linhas elevadas na parte de trás do Mach-E, o que pode dificultar um pouco a visibilidade pelo retrovisor. A câmera de ré na tela central é de grande ajuda, devido à sua boa resolução.

O Mustang Mach-E possui molas firmes, o que pode causar certo desconforto para quem não está acostumado com um carro esportivo. O Mach-E absorve "demais" as imperfeições do solo, e, nesse aspecto, ele não se assemelha exatamente a um SUV. Ele conta com suspensão independente nas quatro rodas, do tipo Macpherson na dianteira e Multilink na traseira.

Também é necessário um período de adaptação aos freios. Como em alguns carros elétricos, a parte inicial da frenagem regenerativa é bastante suave. Quando os freios mecânicos, da marca Brembo, entram em ação, o Mach-E tende a parar de forma abrupta, mas eficiente. Leva um tempo para se acostumar. Os modos de condução normais suavizam esse comportamento de frenagem.
Na estrada

Na estrada é onde o Mustang Mach-E revela seu melhor desempenho. É impressionante a rapidez com que ele acelera nas retomadas de velocidade; afinal, são 860 Nm de torque combinados com 487 cv entre os dois motores elétricos.
Por um lado, pode faltar a sensação do motor "cheio" ao pisar no acelerador, mas, em contrapartida, a impressão é estar ao volante de um carro com muito mais potência. Um Mustang Mach-E é extremamente agradável de dirigir, sempre pronto para responder de forma imediata.

O Mustang Mach-E oferece três modos de direção: Engage, que é uma espécie de modo normal, aplicável a todas as condições de dirigibilidade; Whisper, projetado para navegar em condições adversas e em pisos escorregadios, também contribuindo para estender a vida útil da bateria; e o modo Unbridle, esportivo, que faz referência ao fato de que um Mustang é um "cavalo selvagem".

O Mach-E demonstra desempenho extremamente esportivo ao ser conduzido em estradas sinuosas. O carro mantém aderência excepcional à pista e não causa nenhuma sensação de insegurança, mesmo quando se aborda uma curva de forma mais agressiva.
No autódromo

No teste, a Ford propôs um percurso misto com o Mustang Mach-E. Utilizando o modo Unbridle (esportivo), ele acelera de 0 a 100 km/h em 3,7 segundos, o que o põe à frente de seus concorrentes mais próximos. O carro é ágil e retoma velocidade em diversas condições.
Com motores posicionados em ambos os eixos, o Mach-E assegura estabilidade nas curvas, tornando difícil perdê-las, seja na frente, seja na traseira, independentemente de quão fechadas ou longas elas sejam. O carro corrige a trajetória facilmente, ajustando-se com mais ou menos aceleração.

A Ford ajustou a dinâmica para fazer com que, mesmo sendo um SUV com tração integral, pareça mais um sedã esportivo de tração traseira. Nas curvas, a experiência é divertida e envolvente. É possível sentir a força no corpo impulsionando você de um lado a outro no banco, mas os apoios laterais nas costas fazem com que você se sinta parte do carro.

Pode ser que não se enquadre na definição tradicional de um Mustang ao abandonar o motor V8 raiz, mas é, sem dúvida, um excelente SUV esportivo elétrico, com todas as qualidades que esse tipo de veículo oferece: acelerações potentes, silêncio na condução, custos de manutenção e custo por quilômetro rodado baixos, além de uma boa autonomia (379 km, de acordo com o Inmetro, ou 541 km, no ciclo WLTP).
O preço para a proposta é interessante, pois não há carros tão potentes disponíveis por menos de R$ 500 mil. A Ford cobra R$ 486 mil pelo modelo, em versão única no mercado brasileiro.
*com informações de Henrique Pereira















