Nissan recua do Qashqai elétrico e reforça aposta em híbridos na Europa
SUV mantém opções eletrificadas enquanto modelo a bateria foi cancelado, diz agência

A estratégia de eletrificação da Nissan na Europa passa por uma nova revisão. Segundo informações da agência Reuters, a fabricante japonesa interrompeu o desenvolvimento da aguardada versão 100% elétrica do Qashqai, um dos SUVs mais vendidos do continente, como parte de um amplo programa de redução de custos e simplificação do portfólio global.

O projeto havia sido anunciado em 2023 dentro do investimento de 3 bilhões de libras destinado ao complexo de Sunderland, no Reino Unido, mas acabou sendo silenciosamente cancelado ainda no ano passado. A mudança reflete um cenário de demanda instável por veículos elétricos na Europa, enquanto os híbridos seguem ganhando participação em diversos mercados.

O recuo acontece em meio ao plano de reestruturação liderado pelo novo comando da empresa. A Nissan pretende reduzir sua gama global de veículos de 56 para 45 modelos, eliminar milhares de postos de trabalho e cortar investimentos considerados não essenciais para preservar caixa e recuperar rentabilidade. Projetos ligados à produção de componentes para elétricos no Reino Unido também foram abandonados recentemente. Qashqai segue como um dos pilares da Nissan na EuropaMesmo sem a futura variante elétrica, o Qashqai continua sendo a principal fonte de volume da marca no continente. No mercado britânico, seu maior reduto, o SUV encerrou 2025 na terceira posição entre os automóveis mais vendidos, com 147 mil unidades comercializadas.

Em março de 2026, o modelo atingiu a segunda colocação no ranking europeu, confirmando sua relevância para a operação da Nissan na região.O sucesso do utilitário acompanha uma tendência de crescimento dos híbridos convencionais. Em 2025, os veículos híbridos não plug-in responderam por cerca de 42% das vendas de automóveis em diversos mercados europeus, enquanto os elétricos puros ficaram abaixo de 10% em alguns países do sul e leste do continente. Motorização híbrida continua sendo prioridadeAtualmente, o Nissan Qashqai europeu é oferecido com duas configurações eletrificadas. A versão de entrada utiliza o motor 1.3 DIG-T turbo a gasolina com sistema mild hybrid de 12 volts, disponível em variantes de 140 cv ou 158 cv, com câmbio manual ou automático X-Tronic e opção de tração integral em alguns mercados.

O principal destaque, porém, é o sistema e-Power, atualizado para sua terceira geração em 2025. Diferentemente dos híbridos convencionais, o motor a combustão não movimenta as rodas, funcionando apenas como gerador de energia para alimentar o propulsor elétrico responsável pela tração.

O conjunto combina um motor 1.5 turbo de três cilindros e taxa de compressão variável com uma unidade elétrica de 203 cv e 330 Nm de torque. Segundo a Nissan, o consumo médio pode atingir 4,3 litros por 100 quilômetros e a autonomia ultrapassa 1.200 quilômetros com um tanque de 55 litros.As dimensões permanecem típicas do segmento C europeu, com 4,42 metros de comprimento, 2,66 metros de entre-eixos, 1,83 metro de largura e porta-malas que pode superar 500 litros dependendo da configuração.
A Nissan segue outras concorrentes que também vem recuando em seus planos de eletrificação total no Velho Continente. Marcas como Volkswagen e Ford já reclamaram na produção de veículos elétricos e o grupo Stealth está postando na parceria com a Domfgeng para a oferta de modelos com custo mais acessível. Marcas japonesas como Honda Toyota também vem crescendo com elétricos a bateria a passos lentos.
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